Antes das habituais 22h30, as cadeiras no aquário dispostas na noite de ontem estavam já todas ocupadas e outro punhado de pessoas, posicionado na sua rectaguarda, observava o calmo semblante da guitarra de Norberto Lobo. De arco de violino junto às cordas, deixando que se soltassem subliminares alicerces melódicos, ténues e silênciosos, que conduzem uma caminhada apaziguadora e mística que será o futuro disco do guitarrista português.

Embora implícitamente não o seja, o ritmo imposto parece respirar brisas de influência oriental, o que na noite em questão possa ter mais sentido apenas pela agradável temperatura sentida no terraço da ZDB. Este não demorou a ver a largura das suas paredes protegidas pelos corpos dos convivas mais atrasados, procurando o melhor spot para uma brecha de som e visão por entre a porta e o vidro do aquário. Respeitando-se, no decorrer do possível, a ausência de vozes perante o intermitente dedilhar de som.

O homem da guitarra em palco tem os olhares fixos nas suas artimanhas mas este não poderia ser mais transparente, nunca esteve quieto, como se não fosse sequer possível a emissão do som sem que o baloiçar na cadeira o permitisse. Ainda, e no decorrer de toda a performance, o volume permaneceu murmurante. Ante o clássico dedilhar do instrumento e o recurso ao loop, em que a voz do músico com pequenos sussurros de pássaro, se embrulha, por vezes, sem se notar o que é de facto se porventura não o vissemos.

O músico levantou-se várias vezes da cadeira, saindo e regressando rápido ao palco, como se fosse buscar o que queria apresentar de seguida. De uma das vezes, trazendo laivos de “Mel Azul” e “Fala Mansa”, que revelaram a parte final da actuação.