Que a cena punk/hardcore é uma associação à expressão DIY não é novidade, mas ter um sítio mais específico e underground do que a cave da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico era tarefa árdua. Depois de terem passado em outros pontos do país, os No Omega e os Wake The Dead chegavam juntos à capital para prosseguir a sua digressão ibérica.

Apesar dos poucos metros abaixo do solo, os Birds tentaram descolar – concerto curto, negro, directo e com alguns problemas de coordenação, mas que não impediu de se desafiar pela primeira vez as baixas temperaturas a que Lisboa se submetia.

De regresso após ano e meio de paragens estiveram os Hard To Deal. Com novo material a caminho e com motivos para o apresentar, o quinteto fez subir a parada do hardcore com melodias mais vincadas e com maior intenção de puxar pelos presentes. Com as faixas seleccionadas bem preparadas, faltou o elemento surpresa para fechar uma actuação que merecia mais uns minutos.

Esses minutos extra parecem ter sobrado para os Don’t Disturb My Circles que usaram e abusaram da sua sonoridade rica em contratempos, mas com alguns contornos e limites a definir. A situar-se entre a loucura dos The Dillinger Escape Plan e a violência segmentada dos Maximum The Hormone, valeram-se pela pujança virtuosa e pecaram na sua variedade.

Depois de três bandas nacionais, os Wake The Dead ofereceram as primeiras palavras noutra língua. Ou talvez não. O vocalista Cesar começou por dirigir várias palavras em português sem qualquer graça, mas que proporcionaram as primeiras opiniões destes franceses. Com uma série de faixas pouco inspiradas e sem grandes soluções, as atenções centravam-se novamente num vocalista que corria em todas as direcções e gesticulava sem motivos.

Para terminar e já um pouco tarde para o que era suposto ser uma matiné de hardcore, os No Omega surgiram para restabelecer a qualidade de som na sala. A Throatruiner Records, sendo já uma das mais fortes editoras do género, assenta-lhes bem pela força e violência com que decidiram apresentar o seu mais recente “Shame” a Lisboa. Foi uma daquelas investidas que deviam ter sido um pouco mais duradouras e com espaços menos longos entre as faixas, tendo em conta que os elementos estavam todos alinhados para entregarem ainda mais argumentos e nódoas negras para casa.