Apesar de os Wolf Eyes estarem, no que respeita às edições, acanhados, sem se sujeitarem a novos lançamentos, Nate Young, um dos seus membros, esteve presente na Galeria ZDB para, de certa forma, apresentar a sua visão de como sujeitar uma sala a um espalhafato sonoro controlado, baseando-se em loops constantes e batidas articuladas.

Numa noite de parca afluência de público, Nate Young surge em palco trazendo consigo a sua secretária, composta por um emaranhado incrível de fios e pedais, para que, como se de um professor se tratasse, explicar aos seus alunos como utilizar todos os componentes na criação musical. Foi, talvez, um daqueles professores que pouco colocam os olhos nos alunos, tão em sintonia que se encontram nos seus pensamentos e explicações. Conseguiu também ser daqueles professores que, através de uma perfeita explanação, suprime qualquer possível falta de interacção. Analisando aquilo que trouxe até à ZDB, poderia avaliar-se esta como uma boa aula, mas não traria o necessário para uma avaliação máxima. Contudo, foi o suficiente para ser encarada como uma excelente tutoria sonora.

Circulando entre componentes daquilo que seria normal e entendível definir como uma mistura de drone, noise e electrónico, acaba por ser admirável que uma personagem que mexe de forma tão delicada e minuciosa em todos os botões, seja capaz de extrair sons fortes e tão pouco consonantes com os gestos que executa. Sem a oportunidade de uma visualização plena, poderia imaginar-se que em palco estaria alguém extremamente violento e com uma atitude fervorosa na forma de tocar. Mas não, Nate Young é precisamente o oposto de tudo isso. Demonstra calma e tranquilidade de sobra na concepção musical.

A actuação foi-se construindo por fases, em que as camadas drone se tornavam mais interessantes e abrangentes, ao passo que as formas noise se estendiam de mais prenunciada e complicada interiorização.

Foi como tomar um comprimido. Se, numa primeira fase, a absorção se torna uma tarefa árdua, em virtude das construções sonoras baseadas num progresso constante, depois, é impossível qualquer parte do corpo ficar abstraída do enredo sonoro e pormenorizado que Nate Young desvendou. Como tal, a metabolização e até mesmo a excreção, tornam-se igualmente facilitadas por um procedimento que, até certo ponto, se torna custoso, mas que interiorizado surge contemplativo, através da articulação de variadas atmosferas.

Se, muitas vezes, é referenciado que as pausas e os silêncios são uma parte integrante e essencial da música, Nate Young pareceu não concordar com essa demanda. E fez ele muito bem.

Na primeira parte, coube aos Tropa Macaca a complicada função de tocar para um restrito número de pessoas e, talvez por isso, a sua forma musical assente no minimalismo, acabou por não acarretar um grande estímulo auditivo.