Depois de lançarem o aclamado Instinct:Decay em 2006, os Nachtmystium enveredaram por caminhos mais experimentais e menos pesados em Assassins e Addicts, partes I e II do chamado Black Meddle. É justo dizer que nessa fase pareciam estar um bocado às apalpadelas num terreno que lhes era pouco familiar. Assim, é também justo afirmar hoje que a banda Norte-Americana está de volta a um território mais seu. Talvez por isso mesmo, Silencing Machine seja mesmo o álbum mais bem conseguido que editaram pela Century Media.

Quando músicos abandonam as suas raízes mais cruas ou agressivas, trocando-as por uma sonoridade mais polida e com elementos de estilos muito diferentes, há quase sempre uma divisão de fãs em que um grande grupo dos mesmos apela constantemente a um “regresso às origens”. Nesse sentido, a resposta dada neste trabalho é mista. Não é um Instinct:Decayparte dois, nem isso faria qualquer sentido. O que se ouve é um pegar no melhor que havia nos Black Meddle (que, diga-se de passagem, são álbuns interessantes, ao contrário do que às vezes é dito) e dar-lhe uma dose de violência e rispidez que só fica bem. Há algumas texturas industriais, um ritmo ou melodia mais catchy aqui e ali, mas estão muito mais embrenhados numa toada black metal do que nos dois registos anteriores.

O grande destaque do álbum acaba por ser mesmo isso, a crescente simbiose entre as diferentes facetas da banda. Nas vertentes mais experimentais do género, há quase sempre uma dicotomia entre riffs mais cortantes, reminiscente do som praticado na Noruega, e passagens mais acessíveis. Graças à introdução de elementos industriais e psicadélicos, cortesia mais uma vez de um Sanford Parker cada vez mais integrado na banda, os Nachtmystium conseguem esbater estas barreiras, ora tornando mais áspera uma passagem menos agressiva ou introduzindo uma atmosfera mais variada nos momentos mais ríspidos, como acontece logo na abertura, Dawn Over the Ruins of Jerusalem. Destaque-se também I Wait In Hell e Decimation Annihilation, a primeira porque captura o lado mais monumental em que a banda é exímia e a segunda pela surpreendente aproximação a um som mais black’n’roll, numa música que é levada a um outro nível pelos sintetizadores do músico/produtor de Chicago.

Em vez de um regresso ao passado, porventura uma opção mais fácil e segura, Silencing Machine é um passo em frente. É um álbum que ajuda a colocar em prespectiva os devaneios experimentais anteriores, incorporando-os na anterior abordagem extrema de uma forma que se saúda. Sabendo que vem aí um novo trabalho dos Twilight, aos quais se juntou recentemente Thurston Moore, é bom constatar que os senhores Judd e Parker andam inspirados. Assim, temos neste lançamento de Nachtmystium, para além de uma hora bem conseguida de black metal de tendência experimental, também um bom augúrio para o futuro, seja este o de qualquer um dos projectos mencionados.