Há coisas que não mudam. A energia que sempre se associou aosMr. Miyagi não é coisa de esmorecer com o tempo – mas lembram-se porque raio é que o diabo sabe muito? Não, não é porque é diabo. Os meus avós sempre me disseram que é porque é velho. Ao quarteto de Viana do Castelo, deu-lhes para riffalhar mais e melhor. Os nossos tímpanos agradecem, os nossos corpos nem tanto. “Deixa-o pagar, deixa-o pagar”, já dizia o António Variações.

Não que Mr. Miyagi seja um grande castigo auditivo, é thrashalhada da clássica – e não há maquilhagem a disfarçar o que ouvem e o que gostam de ouvir. As suas influências ou são evidentes ao ponto de terem na frase “nothing else matters” um refrão, ou são jocosas ao ponto de gozar com os ícones maiores do género por que se movem e pelos suas tentativas de se mostrarem bestas sentimentais. Aliás, não deixa de ser irónico ver que há um lado mais meloso, lento e orelhudo nos autores de There’s no Destiny… Enjoy the Ride, que têm em Maria um daqueles riffs que dão gosto ouvir.

Este novo registo é, então, um álbum com polaridades acentuadas, entre o gratuito e apunkalhado e as guitarras aprimoradas. Apesar dos dois universos distintos por que se decidiram mover, conseguiram criar uma narrativa coerente e que faz o disco valer como um todo de 30 minutos dignos de se perder.

Os vianenses estão definitivamente melhor oleados, mais sonantes e quase pop – não fosse a sua vontade de partir tudo, como a ainda nova mas já clássica de concertos Cold ones six pack faz questão de mostrar, e se calhar tinham tudo para ser a nova sensação da headbangers ball da MTV, se ainda houvesse tal coisa. Não havendo, resta apanhar boleia para o próximo crowd surf.