Ah!, saudosa época em que o post-metal aquecia tantos e tão melancólicos corações. O tempo, essa maldosa besta escultora, arrumou as botas dos ISIS, atou os Cult of Luna a um sepulcral silêncio de cinco anos (cortado na Vertikal há meses) e fez com que muitos encolhessem os ombros ao Neurot-ico Honor Found In Decay. Outrora uma febre, o género caiu no permanente déjà vu e os Mouth of the Architect, contemporâneos desse apogeu, remeteram-se ao ocaso. Se excluirmos The Violence Beneath, EP editado em 2010, a banda de Chicago estava há também meia década sem se importar com um novo longa-duração. Sintomático.

O jejum termina agora, in medias res de 2013. O responsável?Dawning, que não perde tempo se mostrar beatífico nos seus intentos – Lullaby introduz-se cristalina nos acordes, revolta-se na dissonância, sussurra-nos “enough is enough” e eclode, pouco depois, sem espanto. Afinal, a fórmula mantém-se: build-up bonitinho, ébrio em delays e um epílogo cuja fúria se mostra controlada em demasia. Sim, implosões arquitectadas são elegantes, mas o caos desgovernado é sedutor, e a Dawning falta-lhe o desalinho. Falta-lhe a tão em voga baderna. Falta-lhe o twist no guião. E não lhes chega abiscoitar riffs aos Neurosis, nem surripiar os Godspeed You! Black Emperor – o início de It Swarms é nisto descarado.

Apesar de consistente nos seus intentos, o quarto disco dos Mouth of the Architect sofre também do maldito anacronismo. As suas estruturas post-metal, de barbas densas e guitarras solenes, seriam uma bela calota polar no verão de 2006; no de 2013, têm dificuldades em ser mais do que um simples refresco de esplanada. Nunca está em cheque a sua pulcra harmonia – The Other Son é bem bonita – mas o imprevisto é pouco ou mesmo nenhum. A inclusão de vozes limpas, contrastantes com os perpétuos berros, é um tiro ao lado.

Na discografia dos Mouth of the Architect, Dawning dificilmente passará de trivia. Longe de hediondo, longe de sublime.