Uma guitarra com afinação estupidamente baixa e uma boa dose de distorção em cima a produzir riffs arrastados enquanto uma bateria simples nos martela a cabeça sem grandes subtilezas. Esta sempre foi a base do som dos Moss e nesse sentido Horrible Nightnão foge muito à regra. No entanto, tem tudo para chocar uma série de fãs dos britânicos, jazendo o motivo maioritariamente na prestação de Olly Pearson, vocalista da banda, que optou por uma abordagem limpa que até aqui lhe desconhecíamos. Como ponto de referência, é pensar naquele estilo meio “hazy” à Jus Oborn ou Ozzy nos primeiros tempos, tornando-se extremamente desconcertante nos melhores momentos do álbum. Um sentimento aliás transversal à música dos Moss, mas que aqui é transmitido de forma completamente diferente.

Voltemos um pouco atrás no tempo, a Sub Templum ou Tombs of the Blind Drugged, os dois últimos trabalhos da banda e uma boa parte da razão para o estatuto de quase culto de que esta é alvo nos meandros do doom mais lento e menos simpático. O memorável neles é mesmo a atmosfera profundamente desagradável e tortuosa que conseguem criar pela forma ridiculamente pesada e arrastada com que os temas se desenvolvem, pincelados aqui e ali pelos berros cheios de desespero do Olly. Ao lado destes monstros, Horrible Nightestranha pela falta de peso, pela atmosfera menos sufocante e sobretudo pela limpeza vocal.

Passada a fase de estranheza, há momentos em que a nova abordagem resulta bastante bem, como em Horrible Nights ou Bleeding Years. Nestes, temos uns Moss que parecem saídos da caverna negra e repleta de feedback que andaram a explorar no passado, erguendo-se num espaço que assusta pela mera vastidão. Igualmente soturnos, não por nos enclausurarem num inferno claustrofóbico, mas pela súbita compreensão de que o que quer que seja que nos assombrara antes se estende agora interminável à nossa volta.

Infelizmente, nem sempre conseguem atingir os níveis de intensidade do passado, seja esta criada de uma forma ou de outra. O exemplo mais gritante disso mesmo gira à volta deDreams from the Deaths, interlúdio minimalista que divide o álbum ao meio. Percebendo-se a intenção de criar uma pausa quase silenciosa, inquietante, no meio da barulheira contínua a que nos submetem durante o resto do tempo, a verdade é que esta simplesmente não resulta. Não é particularmente inquietante nem interessante e o desabar de peso que se pedia a seguir não acontece, já que The Coral of Chaos começa genérica e demasiado directa para o que se poderia esperar do trio de Southampton. A coisa melhora a meio da música e I Saw Them That Night fecha o álbum com nota alta, mas fica aquele gosto amargo de que se o nível se mantivesse constante durante Horrible Night teríamos em mãos um álbum potencialmente fantástico.