Barbas de molho no psicadélico aquário. Esgotada, de consciência abstraída em San Francisco, a Galeria Zé dos Bois recebeu a hóstia setentista, ofertada por quem não esquece o desatino suicida de Alan Vega e o pioneirismo dos Loop. Em loop, precisamente, o concerto de Moon Duo desenlaça-se em reiterados círculos: groove de bateria fixante, onde Ripley Johnson entorna riffs inarmónicos e Sanae Yamada, pedagoga do sintetizador, agita eternamente os cabelos e a anca.

Quer rebusquem em “Circles” (lá está), quer esquadrinhem “Mazes”, a locomoção in loco dos Moon Duo mantém-se estática durante os oitenta minutos que exsudam no Bairro Alto. Não há solavancos de maior: a cosmo-dimensão dos norte-americanos apela ao desligue, mas fá-lo em surdina. As reverberantes cordas vocais de Johnson passeiam no córtice motor e os drones cinzelados por Sanae são como festinhas pelo corpo fora, instigadoras da volúpia. A nem todos agrada o discurso circunferencial dos Moon Duo – por alturas do encore, já o pátio da ZDB refugia quem prefere a cavaqueira às trippy projecções vídeo. Extenuado, o duo, que em Lisboa foi trio, pousou o feedbacke deixou que a capital voltasse a morder o Atlântico e não o Pacífico. Mas a 25 de Abril manter-se-á, por excelência, a Golden Gate Bridge europeia.

Forjada no compasso português, o basilar habitat de Jibóia será sempre o palco, onde a ginga se espalha a alto volume. Solta às mais distintas torrentes musicais, a miscelânea de Óscar Silva foi adorno hábil para a tapeçaria dos Moon Duo, numa acid dance session em que Ana Miró, sumptuosa, ecoou.