Finalmente, os Mono conseguiram atingir o seu maior problema e colocar-lhe um ponto final. Finalmente, é passado a cisão que havia entre os Mono, a banda, e os Mono, aqueles que de vez em quando tocavam com orquestra. Em Hymn to the Immortal Wind a comunhão entre a orquestra e os surtos mais rasgados dos nipónicos é tão perfeita que é quase difícil de acreditar que houve um longo caminho percorrido antes de tão belo resultado.

Apesar da grande capacidade que os Mono sempre tiveram para fazer melodias tristes e intensas, as incursões que estes tentaram com orquestra acabavam por limitar o impacto das suas composições – talvez inexplicavelmente, mas a verdade é que as músicas tocadas apenas pelo quarteto, até aqui, tinham sempre uma carga de libertação que o som mais erudito acaba por condicionar. E agora isso é passado.

Talvez graças ao produtor Steve Albini, os japoneses são apenas um projecto que conseguiu um álbum monumental – uma verdadeira obra-prima do Post-Rock, precisamente quando o género se começava a esgotar. Não será por acaso que, quase sem nenhum pudor, se afirma que este simples quarteto é actualmente o melhor projecto do género (o pior é que se trata de uma opinião que quem teve o prazer de assistir a um concerto corrobora com uma facilidade incrível – uma sorte que ainda não atravessou o Ponto, mas que se há-de colmatar).

Para mim, Hymn to the Immortal Wind é, incontornavelmente, o melhor álbum dos Mono, tanto por representar o fim de um problema que Taka e companhia pareciam não conseguir deixar para trás, como por ter algumas das melhores músicas da carreira dos japoneses – uma carreira que já tem dez aninhos – ao nível da composição, com estruturas menos óbvias, e ao nível da melodia, com músicas riquíssimas nesse aspecto e com um efeito fantástico nas ambiências.

Trata-se de um álbum triste, mas não deixa de ser uma celebração dessa melancolia – Follow the Map é a prova disso mesmo. É esse o verdadeiro impacto que a orquestra tem nas músicas: eleva as melodias para proporções mais épicas, mais do que aquelas a que o Post-Rock tornou habitual, mas não banaliza de todo o ‘feeling’ das composições; pelo contrário, a orquestra tem um papel intensificador (uma vez mais, e perdoem-me a repetição que é de todo inevitável: finalmente e ainda bem!).

Os Mono excederam-se, acima de tudo. Não se nota uma evolução abismal em relação ao que a banda tem vindo a fazer, mas percebe-se que neste álbum ultrapassaram tudo aquilo que seria de esperar deles. Sabe bem, de forma simples, ouvir música tão completa e foi isso que o quarteto japonês conseguiu no seu álbum mais recente: melodias cheias, em todos os aspectos.