No último dia da oitava edição do Milhões de Festa, a meteorologia não era muito convidativa, assim como o concerto dos Pista. Mais interessante estava Al Lover com um set eclético – contudo o público só se rendeu perante Branko, com os seus ritmos maioritariamente africanos, o músico e produtor, mentor dos Buraka Som Sistema transformou a piscina numa verdadeira pista de dança. Chris Menist + Maft Sai ficaram encarregues de fechar a Piscina, mas estes não conseguiram manter a pista de dança.

Pista

No entanto, mesmo com ameaças de chuva, houve bailarico.No recinto principal os The Paradise Bangkok Molam International Band, uma banda bem-disposta, apresentaram o seu experimental com ritmos orientais, começando por ser um concerto interessante e que captou a nossa atenção. Contudo, ao fim de algum tempo, o som tornou-se demasiado repetitivo e continuar ali tornou-se quase tão enfadonho como ler o nome da própria banda.

The Paradise Bangkok Molam International Band

O mesmo já não se pode dizer dos dreamweapon, space rock que nos embalou numa viagem introspetiva repleta de boas energias. Muitos foram os que mal viram a banda, permaneceram de olhos fechados e de sorriso na cara – foi como sonhar acordado.

Bad Guys

Bad Guys afirmaram que aquele era o maior palco em que alguma vez tinham tocado, mas não pareceram nada intimidados por tal. As guitarras de duplo braço foram desfeitas, juntas a uma voz revoltada e a uma bateria detonadora – deram razões ao público para mais uma vez haver moche – voltamos a ter poeira no ar na zona ribeirinha de Barcelos.

The Bug

Se Bad Guys destruíram o palco Milhões, The Bug nem ruínas deixou! Espalhou-se um rumor de que Kevin Martin obriga a que se coloque uma placa de betão nos palcos onde toca, para os MC’s serem menos afectados pela vibração do seu dub – tal não passou de um boato – contudo a sua performance foi puro betão armado, bem vibrado, não deixando lugar para roturas. Instalado à direita do palco,  começou com um ambiental ruidoso, passando logo de seguida a sua colaboração com os Death Grips. Dado isto, entrou para o lado esquerdo o MC Flowdan que foi intercalando com o Manga – estes remataram com um rap bem afinado e puxaram ainda mais pelo público, público este que respondeu com movimentos descontrolados e vibrantes, como o som de The Bug.

O fecho do festival fez-se ao som de cumbia, passando por uma atuação energética dos Meridian Brothers, que nos presentearam com uma cover da “Purple Haze”. Falando em energia, não nos podemos esquecer do set de La Flama Blanca, esse senhor que não parou um segundo, convidou o público a subir ao palco, e gritava ao microfone: «É o Milhões ca*****!». Foi mesmo o Milhões e para o ano há mais.