Trinta anos, quase duas dezenas de discos, e temos o legado dosMelvins. Contudo, para nossa fortuna e fazendo alguma futurologia, dá a sensação que não será tão cedo que nos iremos despedir deles. Para isso, muito contribui aquilo que mais uma vez se sente em “Tres Cabrones”, uma aparente farsa e uma frequente ideia que não existe uma necessidade concreta que os levemos muito a sério, oiça-se “99 Bottles of Beer”. O próprio King Buzzo continua a manter na formulação das suas composições uma forma despreocupada que acaba por se reflectir positivamente em todas as faixas do disco. Não será muito difícil imaginar Buzzo a pedir espaço porque naquele momento é hora de “riffar”. Talvez esta postura seja a justificação para se notar uma tão longa vitalidade criativa e musical.

“Tres Cabrones” faz regressar um dos membros fundadores, Mike Dillard, para a bateria e manda Dale Crover tomar em braços o baixo, remetendo-nos para uma fase intermédia, algo que poderia perfeitamente suceder a “Houdini”, pegando na sua história, e servir como uma antecipação a “(A) Senile Animal”. Um disco de impulso, instantâneo e que concentra as várias fases dos Melvins, sempre com a noção de que a experimentação está na base de tudo e, como tal, também todas as vocalizações reproduzem várias facetas – ora de gozo em “Dr. Mule”, ora de força em “City Dump”.

Apesar de todo este enredo, “Tres Cabrones” pode gerar a impressão de que apesar de ser aprazível ouvi-lo, uma separação também não se torna dolorosa. Constituído por um conjunto de bons temas, com o epicentro em “Dogs And Cattle Prods”, sente-se que não traz suficiente artimanha para nos prender e tornar-se uma companhia insuperável. No entanto, todo o humor e boa-disposição aliado a uma sempre interessante estrutura musical fazem-nos sentir em boas mãos.