Já trabalhou com nomes como Yann Tiersen, Thurston Moore(Sonic Youth) ou Mogwai, mas ainda é, em certa forma, pouco projectado no nosso país. Detentor de uma vasta carreira, que conta com mais de uma dezena de álbuns editados, Matt Elliott é um nómada nascido no Reino Unido que, há alguns anos se apaixonou por Espanha, fixando lá a sua residência.

Talvez por isso, Howlings Songs é, então, uma viagem.  Enquanto que I Name This Ship Tragedy, Bless Her & All Who Sail with Her é uma digressão pelas balcãs, sempre dirigida pela voz grave, profunda de Matt Elliott; já Song for a Failed Relationship tem um je ne sais quoi da chanson francesa, onde não conseguimos evitar de nos lembrarmos de Jacques Brel numa qualquer rua de Paris, talvez, e novamente, pelos vocais de Elliott, que têm a capacidade de se reinventar a cada canção que passa.

Se a tristeza tivesse um nome, certamente, seria homónimo ao do cantor de Bristol. É que se torna quase impossível resistir à reflexão e à melancolia a que as suas músicas nos embalam. Carregado da típica folk, muito perceptiva nas guitarras e no ritmo, o disco logra em criar crescendos, que acabam por se tornar quase épicos, tal é a intensidade da mensagem. Porém, também a mesmíssima guitarra que Elliott toca se torna metamórfica, em momentos mais chill-out, com uma certa sonoridade mais latina (devido à sua nova localização geográfica?).

Em certa maneira, pode falar-se do singer-songwriter como um “carrasco”, tal é a negritude da sua música, sempre consistente e, neste trabalho, mais matura, resultado da evolução do autor.

Howling Songs é o mais recente disco de Matt Elliott, que fecha a trilogia das suas “songs” (Drinking Songs de 2005 e Failing Songs de 2006). O músico actua esta sexta-feira, 28, em Portugal, no Festival Curvo, em Aveiro.