Primeiro dia do ano a fazer frio a sério e o aquário da Galeria Zé dos Bois abafado com espectáculo esgotado.

Três músicos entram em palco mas a atenção imediata recai para Jana Hunter, assumindo uma postura muito envergonhada mas enternecida ao vislumbrar tantas pessoas. Em “To Die In L.A.” encontra o caminho para se soltar e não desilude os fãs mais devotos, é o single mais aclamado do último álbum “Escape From Devil”. Com um estilo minimalista e descontraído – calças largas afuniladas e camisa macia de corte masculino – desliza os seus oxford shoes unicolor oferecendo momentos de maior expressividade. O maior pico da sua linguagem corporal surge mais tarde em “Non Grata” , percorrendo o palco numa dança que, embora vigorosa, no seu corpo se manifesta de forma hirta e robótica. Há tempo para um momento cinematográfico com “Batman” – musica inteiramente inspirada na sequela “The Dark Knight” do Christopher Nolan.

Desce-se depois para um ritmo mais intimista em “Odine”. É ela que encanta uma sala onde discrepam as idades, mas comungam as gratitudes aos vaivéns de som fabricados em Lower Dens. Dispensam o encore e avançam logo para “Company”, aproveitando o momento para dedicar o concerto a um familiar de Walker Teret, guitarrista da banda, que falecera naquele dia – uma solenidade de fecho para uma noite de Bairro Alto.