Los Saguaros são Diogo Augusto (Hell Hound, Sonic Reverends) e por Samuel Silva (The Wage, Sonic Reverends), duo que faz em Portugal western-rock à americana. Guitarra e bateria são os instrumentos, imediata é atitude. Primeiro faz-se, depois logo se vê.Sonora é o resultado dessa atitude.

Não há deserto em Portugal, mas há lojas de música que vendem pedais de efeito para guitarra, que é, como se sabe, o que realmente importa quando se quer fazer este tipo de música. O deserto é paisagem, a música também. O deserto dispensa ferramentas porque já está feito, a música não, que essa vai-se fazendo consoante aquilo que queremos e, mais importante, podemos. Los Saguaros ainda podem pouco.

Sonora, que dura apenas dezasseis minutos, não tem génio, não inventa, não reinventa, não baralha e volta a dar. Limita-se a fazer à maneira de, com maneirismos competentes e muito certinhos, sem ousadia. Tudo o que se ouve parece já ter sido ouvido noutros locais, os riffs são familiares porque já foram feitos por um sem número de bandas que mastigaram e remastigaram este universo.

Isto é mau? Não, porque, como disse, tudo está feito de forma competente.

É bom? Não, porque, como disse, não nos faz suspirar de espanto. É assim-assim e o assim-assim não chega.

O duo tem uma boa noção de ritmo e consegue, por vezes, acertar a máquina. Com sorte conseguirá tocar muito, olear a máquina de tal forma que, dominado que está o léxico, tenha coragem para fazer algo de novo.

Em jeito de post scriptum:

No press-release diz-se “os Los Saguaros são a nova banda rock’n’roll favorita”. Ainda não, ainda não. Aconselha-se mais calma a quem tem o dever de saber apresentar os seus artistas. É que bojardas categóricas deste calibre só prejudicam a banda porque dão a sensação de querer engradecer algo que não é grande, de dizer por hipérbole aquilo que a banda ainda não diz por música.