Saudemos os Liars: mais de uma década depois da primeira proposta, continuam a soar revigorantes e com uma necessidade de se reciclarem a cada novo disco. “Mess” é o mais recente culminar de todo esse processo e motivo pelo qual trouxeram a sua missão a Lisboa. E, se de início com a sequência “Pro Anti Anti”, “Mask Maker” e “No Barrier Fun”, poderia-se ter ficado com a ideia de que o trio iria optar por escalar todos os seus álbuns, no final iria-se perceber que não seria essa a opção.

Foi precisamente no momento em que retornaram a “Sisterworld” com “No Barrier Fun”, que se recordou que nem sempre os americanos foram uma máquina de debitar batida sobre batida e, mesmo que as electrónicas sempre os tenham acompanhados, qual cão de guarda, este regresso a um passado mais distante, serviu para lembrar que Aaron Hemphill, nada espalhafatoso e até parecendo ausente, continua a ser quem carbura a banda, seja na sua maquinaria, ou nos efeitos que traça no baixo e na guitarra. Contudo, se Hemphill meteu a chave na ignição, Angus Andrew é o tipo que serviu de constante arranque, parecendo que todo o som foi criado para seu próprio proveito e júbilo. Como tal, uma sequência de “Vox Tuned D.E.D.” e “Boyzone”, serviram para o acicatar ainda mais e, há que reconhecer que os temas de “Mess” conseguem realmente instigar.

Com “WIXIW” entendeu-se, mais uma vez, que a forma sonora em que se encontram, muito deriva de uma busca feita ao longo de vários anos. Por isso, não se estranhou que uma malha destas, com a utilização do órgão e da bateria em jeito tribal de Julian Gross, possa coexistir com um alinhamento estruturado em torno do novo longa-duração. Tal como não se suspeita que dele tenham optado por servir a balada em formato Liars, “Can’t Hear Well”. Paninhos frios antes da queimadura? Pois sim, “Mess On Mission” estava para chegar e tinha que ser testada a sua aterragem. A avaliar pela reacção do público que compunha o espaço, a missão estacionou com danos evidentes. Cacos por todo o lado e “Brats” serviu para os baralhar ainda mais. Malha sem meio termo a fazer reverência aos Underworld.

Regressados ao palco depois de uma breve saída, “Plaster Casts Of Everything” e “Broken Witch”, comprovaram que em palco subsistiu um som mais bruto do que aquele que ouvimos em registo, diminuindo-lhes a qualidade, mas aumentando exponencialmente a tensão. E é por aí que passa a experiência ao vivo dos Liars, um cansaço de desmesurada intensidade.