Há um statement por demais peremptório a ser feito, desde já: todas as malhas que aqui encontramos, escritas em 1996/1997, são melhores do que grande parte do hardcore com que hoje nos deparamos. Há uma razão, um tanto ou quanto lógica, para isso: os Left For Dead foram exactamente a antecâmara daquilo que viriam a ser os Cursed, um dos incontornáveis nomes do género na primeira década do novo milénio.

Todavia, ainda bem antes de álbuns como I, já Chris ColohanChristian McMaster feriam hostilmente o underground canadiano com os The SwarmRuination ou Left For Dead. Estes últimos destacar-se-iam inevitavelmente pela sua virulência e pelo convénio assente nas seguintes valências: groove 90s, uma influência gritante do powerviolence dos Infest e uma agressividade vocal e lírica tão típica de Chris Colohan, um dos maiores vultos do hardcore.

Sem nunca terem editado oficialmente um disco, todas as composições dos Left For Dead ficaram edificadas para posterior memória numa compilação intitulada Splitting Heads, datada de 2005. Ora, três anos depois, a banda cessou actividades (em muito devido ao facto de os Cursed se agigantarem mais e mais) para só agora, em 2013, regressarem com esporádicos concertos – o maior de todos no nono aniversário da editora A389 Recordings, festejado em Baltimore.

Foi exactamente ideia da A389 a remasterização de Splitting Heads, em jeito de comemoração do retorno dos LFD aos palcos, numa obra a cargo de Kevin Bernstein. Melhor não poderia ter resultado: impressionante é o adjectivo que acorre quando nos apercebemos de que a banda poderia, sem margem para dúvidas, lançar pela primeira vez este registo em 2013. Não há anacronismos, não há injustificações. A violência gratuita e quase pueril dos Left For Dead manteve-se impenetrável perante o tempo – ouvi-la com melhorias na qualidade de som, então, é um presente de Natal adiado para todos os que gostam de uma catedrática dose de pancadaria. Para além dessa diferença maior, há também a destacar a inclusão de duas versões de Six O’Clock e mudanças na tracklist, quando comparada com a de Splitting Heads, naquela que é uma já uma das grandes reedições do ano.