O lançamento de Born to Die estará, para sempre, intimamente ligado a todas as correntes que se geraram de promoção ao trabalho de Lana del Rey. Editado o disco, aquilo que tem que ser avaliado é se se trata de um trabalho de música ou de uma simples jogada de marketing camuflado.

Ao ouvir-se o primeiro longa-duração da americana, é impossível não se ficar com a sensação de que não estamos a encarar uma simples edição musical, mas antes, e maioritariamente, algo extremamente bem planeado, de forma ser a vendindo e a gerar o maior impacto possível. Neste campo, há que dizê-lo, Born To Diefoi muito bem estruturado e a condução de tudo o que rodeou o lançamento oficial constituiu uma brilhante estratégia de promoção.

Por outro lado, tendo em conta o calibre musical do LP, poderá ser dito que esse sucesso não será extensível a esse campo. Ainda antes de Born to Die ser fisicamente audível, já era possível ouvir aqueles que se tornaram verdadeiros singles e fenómenos de internet. Verdade seja dita, Video Games, Blue Jeans e Born to Diesão boas músicas, com Lana del Rey a soar interessante, melancólica e quase com um aparente estado de desgosto.

No entanto, o choque não pode ser evitado ao ouvir o disco no seu todo. De facto, é impressionante o estado claudicante para o qual somos  conduzidos, através de conceitos musicais fracos, vagos e, essencialmente, com máxima expressão no refrão orelhudo. Depois de ouvida a dúzia de faixas, é categórico afirmar-se que não só instrumentalmente se esteja perante uma proposta de fraco valor, mas que também Lana del Rey não seja capaz de manter a sua expressão vocal na plenitude total.

Born To Die acaba, assim, por trazer à memória um tipo de filmes de comédia em que todas as piadas são utilizadas na promoção da fita, sendo que a risada não é plausível em qualquer outro momento. Lana del Rey e quem a promove parecem adoptar esta estratégia, através de uma forma antecipada de cativar público, não tendo a capacidade para o manter fiel e interessado.