O trabalho de um promissor segundo álbum, capaz de continuar o legado do estreante de 2006, Palisade, não se revelou de todo um desafio para uma banda que está a emergir no panorama nacional como os La La La Ressonance: sempre à margem, ignorando regras.

Realmente, quando as ondas gritam Rock e pedem distorções, por um lado, e delays, por outro, a opção do grupo de Barcelos foi claramente o som limpo e claro da guitarra na construção das melodias; quando as influências do pós-Rock – talvez não seja demais etiquetá-los desta forma – caem todas nos por demais badalados Explosions in the Sky, as raízes neste caso puxam antes pela Fusão. E o resultado final são uns portugueses Do Make Say Think, que nada deitam a perder naquilo que os distingue dos canadianos: o quinteto prefere o Jazz como motor ao Folk que embeleza a banda de Toronto.Uma sonoridade desde cedo assumida nada perde. Foi assim com Palisade e Outdoor não inova. Há, claro, o argumento do conceito: a proposta dos La La La Ressonance protege-os por descomprometida de tudo o que se faz por cá. Nesta situação, um bom segundo álbum não é mais do que isso, do que uma boa continuação.

A introdução deste último álbum, Baba Quarter, pinta as nuances do álbum inequivocamente: metais em várias formas, quase como uma pequena cronologia do som dos sopros na música. Mas é com as duas faixas que se seguem que tudo fica (instrumentalmente) dito. Sweet Himeto e Rocking Chair resumem aquilo que é o quinteto barcelense a nível de construção musical e traduzem um caminho traçado, ironicamente, pelo lado mais atípico. Quando a tendência é cair-se cada vez mais abusar das camadas e camadas sobrepostas de som, os La La La Ressonance optaram pela alternativa dos instrumentistas que gostam de distinguir cada uma das notas que tocam e evitaram a parede de som característica de uma grande parte da música instrumental actual.

A música dos La La La Ressonance pode ser descrita como uma exploração de todas as possibilidades harmónicas da música, clássica do Post-Rock, com a leveza de quem evita as distorções e as modulações de som em excesso.

Mas mesmo esta caracterização acaba por ser problematizada com o avançar do alinhamento do álbum, que se vai colando mais às origens Jazz da banda: as melodias passam a estar armadilhadas com baixos mais rítmicos, melodias típicas de uns Weather Report e algumas brincadeiras com os tempos, como se verifica em Serendipity.

Outdoor é, indubitavelmente, um álbum atípico dentro do panorama musical. Na verdade, tanto se pode localizar os barcelenses a Norte deste pasmaceira como algures no Quebec, onde o género já abunda. A missão de conseguirem um bom segundo álbum, fácil à partida, foi por isso mesmo concretizada sem dificuldade. Bem-dita sejam as sonoridades distintas.