Tudo para o real caralho. Que disco, que disco, que disco. Certo dia confessaram-me um segredo. Que o rock deve ser obsceno, imoral, com a baba a escorrer-lhe nas beiçolas e uma escarreta pronta a voar-lhe da boca. Aprendi isto com a Touch And Go, editora gerida por tipos meio chanfrados que acreditavam em drum machines, guitarras cheias de speed nos cornos, SONGS ABOUT FUCKING, poemas pós-modernos que usavam a Edith Wharthon e os Cheap Trick como médiums de uma paranóia a concretizar, baixos que nos fazem pensar «qu’é isto, foda-se?!»…

Portanto, tudo o que é ‘rock’ de guitarras com oito cordas, super produzidinho, com bateristas que acham que estão nos Meshuggah e acreditam que o Danny Carey é genial por usar a sequência de Fibonacci (LOL)… Metam este disco alto, bem alto, rebentem com o pace maker dos vossos avós, deitem gasolina no vosso escritório, comam a mulher do vosso patrão e deixem-no descobrir, festejem o Narodowe Święto Niepodległości em Łódź com uma bandeira russa às costas, assaltem uma dependência bancária usando apenas um envelope, gastem as vossas poupanças para dar um mergulho no lago Karachay em pelota…

Façam com os KEN mode, pá, que cagaram nos empregos que tinham só para fazer um álbum assim. Arrisquem um bocadinho, deixem as guitarras entrar em tilt, troquem a cerveja por álcool etílico até acabarem numa lista de espera para transplantes, imolem-se, encham as mãos de bolhas, arranquem as pestanas por terem abusado nos ácidos, sejam condenados à morte num país subdesenvolvido que não prevê extradição, cumpram aquele desejo antigo de esborrachar o vosso carro num autocarro de dois andares, uma colisão frontal, BUM!, SUCCESS.

SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS, SUCCESS.

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