Deixemos tudo em pratos limpos: Gamma Knife é, sem qualquer dúvida, o disco mais intenso que os Kayo Dot lançam desdeDowsing Anemone With Copper Tongue. Melodicamente, não é o seu registo mais desafiante, mas é o que mais atenção poderia trazer, de novo, para o projecto de Toby Driver e companhia. Infelizmente, falou e a culpa é fácil de atribuir – culpemos a economia, de forma estratégica.

Lançado sem o apoio de uma editora, o novo registo dos norte-americanos foi parcialmente gravado num concerto e produzido em casa. Condições que afectam o resultado final e que nem a masterização final, do Randall Dunn de sempre, salvaguarda o génio inquestionável de Driver, em afirmação evidente neste álbum. A precipitação da banda traz, por isso, um Gamma Knife que não faz jus às canções que apresenta, as melhores em meia década.

A banda não é a única prejudicada, no fundo: um disco que, aparentemente, equilibra a densidade dos últimos registos com a força do segundo longa-duração dos Kayo Dot pode estar, em teoria, ao nível do grande Choirs of the Eye. Pode ser que a edição física mude o cenário.