Trinta e dois and still counting. No já por si só curto lote de presentes no Santiago Alquimista, menos ainda seriam aqueles que já se encontravam neste planeta quando os 7Seconds deram o seu primeiro concerto. Foi em 1980. Convém ter sempre a noção daquilo que significa mais de três décadas no activo, principalmente no espectro hardcore, onde a maior parte das bandas não consegue suster a maré do tempo. E mais surpreendente se torna quando olhamos para a biografia da banda do Nevada e percebemos que não… Também não há hiatos.

Por isso, se há tipo capaz de enfrentar uma teimosa gripe e as maleitas de uma tour, então esse indivíduo é Kevin Seconds. De microfone em riste, acompanhando a incessante cadência de uma banda que se não se deixa vencer pelas rugas, o vocalista dos 7Seconds enfrentou o vírus e revelou um sorriso de satisfação por perceber que há gente em Lisboa que ainda sabe a letra de We’re Gonna Fight e que não se importa de fazer uns dives durante New Wind. Saídos do basilar movimento youth crew, os norte-americanos mantêm intacto o feeling e, porque não dizê-lo, as malhas não envergonham em nada os tempos onde Ronald Reagan era insultado nos pequenos clubes e garagens dos E.U.A. Embalados pela mítica If The Kids Are United dos Sham 69, os 7Seconds estamparam um vigoroso concerto, que provou, sem grande espaço para incertezas, que eles serão Young ‘Til I Die, mesmo que a oxigenação celular teime em tramar-nos.

O primeiro dia do Jurassic Club Fest fez passar pelo Santiago Alquimista outras quatro bandas, entre elas os Challenge. Proveniente das Caldas da Rainha, a banda trouxe também o paladar youth crew/straight edge ao palco lisboeta e enfrentou sem receios a curta plateia. No entanto, os parcos movimentos, e um ambiente bastante frio, condicionaram não só a prestação dosChallenge, como indubitavelmente afectaram a actuação dos penafidelenses Step Back!. Ao contrário da boa imagem deixada em Dezembro no Ginásio Alto do Pina, desta vez os nortenhos não conseguiram incendiar os ânimos, mesmo após as infrutíferas tentativas de o vocalista em espicaçar aqueles que se limitaram a fitar o grupo.

Para sentir algum calor humano, foi preciso esperar que os Godfarts deslindassem o seu crispado skate punk, bem adornado com roupas largas, cabelos pintados a rosa e quedas em palco. Numa atitude nunca abaixo do irreverente, os putos de Barcelona conseguiram acordar o Alquimista, principalmente quando foram buscar as clássicas Filler dos Minor Threat e Wasted dos Black Flag, naquele que foi o momento mais agitado pré-7Seconds. Também nascidos das teias do street punk (Puto da Rua, cover dos Opinião Pública, não foi escolhida ao acaso), os Albert Fish distribuíram três quartos-de-hora que recuperaram capítulos de uma história que se faz desde 1995. Pelo meio, oportunidade para ver e escutar Suspiria Franklyn, dos Les Baton Rouge, que decidiu emprestar a sua voz a uma homenagem a todas as mulheres que ainda militam no movimento punk.