Olhando para o percurso discográfico do catalão, o álbum ƒIN, que marcou a sua estreia fora da restrita edição de EPs é não só o mais eloquente que fez até aqui, como constitui um dos discos mais estimulantes deste ano. Neste registo, Talabot percorre tantas e distintas temáticas do electrónico, alcançando inúmeros momentos brilhantes, que se esperaria uma noite de encontro a semelhante magnitude. Pois bem, isso não se sucedeu na sua plenitude.

Escolhendo o caminho mais fácil e, porventura, indo ao encontro das expectativas da maior parte do público, tal foi o movimento dançável a que se assistiu, John Talabot e o seu ajudante Pional, optaram por deixar praticamente de lado todas as componentes ambientais e que roçam o chill-out do seu longa-duração. Assim, ao longo de apenas uma hora, limitaram-se essencialmente à utilização de batidas fortes e mais adequadas à pista de dança.

Neste live act, o músico, maioritariamente pouco mexido e nada condizente com a movimentação da plateia, iniciou as hostilidades da melhor maneira, com a faixa inicial de ƒIN, Depak Ine. Contudo, logo se notou que algo de diferente iria ocorrer, visto que a mesma foi encurtada quase para metade. Utilizando um espectáculo essencialmente de percussão, com prato, tarola e bateria digital, sentiu-se que grande parte dos temas se encontravam programados e que ao vivo foram influenciados pela cadência desnecessária de tantas batidas. O que em álbum soa diferenciado, único e distinguível, ao vivo suou artificial.

Desta forma, não foi de estranhar que temas como Oro Y Sangre,Destiny ou mesmo So Will Be Now se tenham tornado uma caricatura daquilo que se ouve em disco. Como tal, não foi surpresa que El Oeste e Estiu não fizessem parte de um alinhamento onde não existia espaço para a ambientalidade electrónica destes temas. Sentiu-se que aquilo que transmite em casa com as suas composições, ao vivo pouco transita, e o elo criado no lar não se coaduna com o que foi sentido no Lux.

Em ƒIN é quase possível descortinar temas que poderiam estar divididos por estações ou mesmo por continentes, tal a sua capacidade para se enquadrar em diferentes momentos e perspectivas. Quem tenha ido à procura deste registo, talvez tenha saído defraudado e quiçá desiludido. Para quem tenha ambicionado a festa, ou o falatório durante o concerto, ou as fotos com os amigos e essencialmente a dança, este terá sido um evento que foi de encontro às expectativas.