A última noite de John Zorn no Jazz em Agosto era a mais antecipada por muitos, e claramente não defraudou as expectativas. Perante um Auditório ao Ar livre da Gulbenkian muito bem composto, praticamente lotado, os Electric Masada de John Zorn deram uma lição musical, artística e humana impressionante.

Às vezes é preciso estar em determinados locais naquela altura do tempo. Na noite de domingo, dia 4 de Agosto de 2013 era preciso estar naquele anfiteatro, a assistir ao concerto daqueles músicos para se compreender a real dimensão do que foi ali apresentado. Começando a todo o gás com Lilin, os Electric Masadasintetizaram a essência de Zorn naquela hora e meia de concerto, com as suas múltiplas referências a entrançarem com a música klezmer das suas raízes judaicas.

Tudo o que foi alcançado nos dois dias anteriores reapareceu, mas com uma dimensão superior, com os oito músicos a explodirem em simultâneo e, principalmente, com o saxofone de Zorn com rédea solta.  É por demais importante referir a mestria dos músicos, a segurança assombrosa de Zorn na condução, na forma como liberta e restringe os movimentos e o som, mas tudo naquela noite conduzia apenas e só para a música, a sua alegria, a sua sensação completa.

Mas algo mais importante que isso, que a exatidão das notas e dos sons, que a linha melódica ou o caos aparente, emergiu daquele palco. Uma lição de liderança de Zorn, e uma crença inabalável dos seus músicos no seu talento; a capacidade de serpentear pela regra e pela improvisação, pelo profano e o sagrado, pela energia total e a precisão sensível; foi, no fundo, por toda a experiência inteira que o público aplaudiu o conjunto de pé por duas vezes, a última implorando por um segundo encore que não viria a acontecer. A maioria das pessoas esperou quase dez minutos no auditório, na esperança de só mais uma música, só mais um minutos.

A Arte de John Zorn teve o seu momento culminante com os Electric Masada, que provaram que há mais John Zorn quando o mestre pega no saxofone. Pessoalmente, foi o concerto que mais me impressionou no Jazz em Agosto e, diga-se, em qualquer festival de jazz. E quando me fizeram a pergunta clássica de qual concerto me marcou mais, este irá certamente merecer menção constante. A melhor maneira de aprender acerca do meio artístico é certamente ver e ouvir muita coisa. Os concertos de John Zorn, e especialmente este último dos Electric Masada, foram um curso completo de como fazer e pensar a Música.