James Blackshaw tem um plano – e este está pendente entre o amor e a morte. Felizmente para o britânico, o ambiente que retira das cordas da guitarra coaduna-se com o tipo de decisões existencialistas que nos impõe no início da audição. Igualmente em benefício do guitarrista, o amor e a morte trabalham de mãos dadas num registo tão desolador quanto apaixonante em que apenas destoa uma música cantada.

É, realmente, essa música que acentua uma dicotomia que não existiria à partida – a utilização da voz retira a capacidade de embevecer pela melodia de Blackshaw, que se subordina à melodia da lírica em And I Have Come Upon This Place by Lost Ways, para cedo se libertar pelas cordas da guitarra na corrida de A Momentary Taste of Being, cedenta de voos e céus.

A coexistência pacífica, mas tensa, entre o piano, a guitarra e os arranjos de James Blackshaw, ao longo de Love is the Plan, the Plan is Death mostram que amar loucamente não é mais do que o acto de perdição a que nos propomos. Amar a melodia mais do que tudo implica cedências noutros aspectos. Blackshaw sempre viveu bem com essas cedências, enquanto nos pudesse hipnotizar com harmonia perfeita entre a sua técnica e a beleza das suas composições.

James Blackshaw sublinha, neste novo disco, que amar o que faz é o plano, mesmo que isso não o leve tão longe quanto merecia.Love is the Plan, the Plan is Death é a afirmação do génio de um artista claramente subvalorizado. Observemos o seu amor às doze cordas enquanto este não o afasta da nossa beira.