Se há banda a ser encarada como um organismo vivo, essa banda chama-se Intronaut. Sacha Dunable e companhia têm subido a fasquia de registo para registo, aprofundando o seu som e a sua abordagem de álbum em álbum, apostando forte na componente técnica e na composição. A prova está em Habitual Levitations, o sucessor de Valley of Smoke, um disco em que cada música é perfeitamente construída e alinhada, trabalhada ao pormenor mais ínfimo e enriquecida de forma detalhada – mas nisto reside a falha do disco: enquanto peça total.

Do trabalho de guitarra, às harmonias de baixo, sem esquecer, claro, o requinte da bateria, os Intronaut conseguiram em Habitual Levitations aprimorar o que já faziam bem. Killing Birds With Stones, a faixa de abertura, de acto em acto, serve como introdução intensiva ao que o disco tem. Mais longe do metal de Prehistoricisms (em grande parte devido à voz, mais cantada), os californianos não tiraram o peso da música, pelo contrário, divergiram na abordagem. Em Steps, rapidamente fica evidente que as guitarras conseguem, mais do que nunca, fazer riffs com a frequência e o groove dos géneros mais arrastados, mas sem pôr de parte os elementos melódicos e ritmícos do progressivo por que se vão mexendo.

O próprio baixo de Joe Lester, mais simplificado e recortado, parece ter encontrado o lugar certo na harmonia da música, não raramente soando à terceira guitarra que Dunable e Timnick precisam; por outro lado, esta abordagem não desvia o baixo do seu papel, como Eventual, no seu crescendo final, deixa bem claro.

Assim, cada malha de Habitual Levitations soa como uma obra de arrojo e, salvo as excepções das mais desinteressantes Harmonomicon e Blood From a Stone, em que cada pormenor é lapidado para nos captar a total atenção. O disco, na sua totalidade, falha por não ter a coesão global que o anterior registo, mais conceptual, tinha, ainda que as suas músicas sejam insofismavelmente melhores. Ou, por outro lado, este é um daqueles discos de digestão lenta. Dezembro o dirá.