Que tal uma escorreita parafernália de adjectivos, a fim de adornar e principiar a crítica musical? Pois bem: monolítico, opressivo, niilista, decadente, angustiado. Os Indian, malfeitores anoréticos e barbudos do midwest, mantêm todo esse seu charme intacto. Na quinta rodela em onze desterrados anos, o desfecho que dela retiramos é a de que estes escanzelados não queriam sequer ter pisado um estúdio. Como tudo na sua pesarosa vida, também o processo de conceber e estruturar música é uma obscena purgação. Ora “From All Purity”, no seu passo trocado de quem encheu o jovial hardcore de opiáceos, mutando-o num velho sludge cancerígeno de pés para a cova, diz-nos que a vida só é bonita para quem se distrai com Nicholas Sparks.

Bem, literalmente o álbum não ofende quem aprecia romances de encher chouriço. Apenas enxerga uma pureza que, ao semicerrado olhar dos Indian, é cabal e evidente:  somos um bando de corpos com prazo de validade. Há algo mais autêntico do que a morte? “Rhetoric Of No”, embalada pelo típico compasso doom, barbárica no riff, estampa-nos essa realidade na testa. Às tantas, Dylan O’Toole, babando cólera pelos recantos da boca, esquece-se de silabar e, em neurasténico modo, mastiga as palavras – “nanana na na na”, escutamos. Ou seja, em bom português, “vão todos para a meretriz que vos pariu”. Não há cá espaço para o comiserado humor Eyehategodiano ou para encontrar life meaningnas estrelinhas, nas escrituras hindus ou nas justificações quânticas, à moda dos Yob. Nada disso. Com este grupo de chateados, levamos uma sova made-in Khanate – a faixa “Clarify” conta-vos uma angelical história, conta – e não há direito a pedir o livrinho amarelo.