Cruzarmo-nos com eles, numa qualquer sala nacional, virou rareza. Entregues ao hiato desde 2009, os If Lucy Fell matam saudades de nós e do palco, dentro de dias – primeiro a 25 de Outubro no Jameson Urban Routes e, no dia seguinte, no bracarense GNRation. A propósito deste momentâneo comeback, e antevendo a noite em que cumprimentam Lisboa, o PA’ questionou a banda que congrega gente que se ramifica por Linda MartiniPAUSRiding PânicoBestaFilho da Mãe.

O Jacob Bannon de Converge diz que já se começa a sentir velho na cena hardcore. Num meio onde a juventude é sangue primordial, levar If Lucy Fell aos palcos, actualmente, é uma forma de se reencontrarem com o miúdo caótico que há em vós?

Não necessariamente. Continuamos a fazer música que exige muito fisicamente, com os outros projectos que temos. Esse miúdo nunca desapareceu.

Acordar If Lucy Fell “faz-nos bem”, segundo um post vosso no facebook. Qual o motivo, então, para a banda nunca ter efectuado um comeback peremptório, sem espaço para reticências? Falta de tempo pelos vossos inúmeros projectos?

Não sabemos explicar muito bem. Precisámos de uma pausa na banda, a dada altura, de uma forma natural. Depois, com Filho da Mãe, Linda Martini, PAUS, Riding Pânico, Besta e Men Eater, acabámos por ainda não conseguir focar novamente em ILF. Mas continuámos sempre todos a tocar juntos. No seu tempo, se tiver que ser, faremos um disco novo de ILF.

A vossa semelhança estilística com o (chamemos-lhe) mathcore/post-hardcore conduziu-vos a comparações com Botch ou These Arms Are Snakes. Hoje, quando ensaiam, ainda é esse fio-condutor que vos une ou, quando saem riffs novos, eles ressoam a algo diferente do que encontramos em “You Make Me Nervous” ou “Zebra Dance”?

A verdade é que ainda andamos à procura de um rumo. É muito fácil saírem coisas na onda do “Zebra Dance”. Mas não é com isso que queremos aparecer cinco ou seis anos depois. E talvez seja por isso que ainda não metemos na cabeça uma data para gravar. A dada altura estávamos a trabalhar uns riffs totalmente diferentes, mas coincidiu com o início de Filho da Mãe e achámos que seria demasiado próximo. E o Rui [Carvalho, guitarrista] merecia ter esse espaço e lançar-se a solo.

Por consequência, haverá terceiro disco ou é inútil criar esperanças?

É inútil criar esperanças. É algo que desejamos, mas não sabemos quando vai acontecer.

O vosso concerto no Musicbox, incluído na programação Jameson Urban Routes, pertence a uma noite em que os No Age são figuras cimeiras. Já pensaram em fazer um concerto em nome próprio – uma noite If Lucy Fell, digamos?

Havendo um disco novo sim. Mas não nos revemos a fazer tour sem disco novo. Este espectáculo, e o do dia seguinte, em Braga, surgiram por acaso e são excepção. Mas para voltar realmente, tem que ser à séria.

O que poderemos aguardar da vossa actuação, no próximo dia 25 de Outubro? Há espaço para uma malha nova, quiçá?

Não contaria com isso.