No dia 30 de Agosto os suecos Icos e os Crushing Sun, de Vila do Conde, actuaram na Fábrica de Som, no Porto. A Amplificasom agendou um concerto cuja temática acabou por ser, invariavelmente, a surpresa: poucos dos presentes conheciam Icose dos Crushing Sun não se sabia o que esperar. A verdade é que ambas as bandas mostraram qualidades invejáveis.

As honras de começar com a noite ficaram nas mãos dos portugueses, que cedo encheram a sala de peso e variações de velocidades que lembram o título do último trabalho editado pela banda – Bipolar, um split com EAK. As suas músicas tanto desencadeavam em riffs violentos e rápidos como convergiam em momentos melódicos e mais lentos, numa verdadeira esquizofrenia musical. Inegável é o facto desta fórmula trazer bons resultados ao vivo, pois os Crushing Sun deram, com efeito, um concerto devastador, cheio de atitude e muito bem adornado por uma presença sentida. E nem esta esquizofrenia musical foi um entrave para o público, que aplaudiu respeitosamente; a banda agradeceu com boas maneiras e no alinhamento, mais centrado em Bipolar, até apresentou uma música nova.

Depois de uma breve pausa, seguiram-se os Icos. Um soundcheck mais ruidoso do que aquilo que é habitual serviu para dar uma ideia de como tudo seria a partir daí. Por entre diálogos dos suecos, o concerto começou, sobria e discretamente, as características que melhor se adaptavam à imagem da banda. Mas todas as ideais que até ali construídas por ali ficariam: ao se ouvir o último álbum da banda, Fragments of Sirens (2007), a primeira conclusão tirada é de que os suecos são mais uma bandacomo Neurosis, Isis e Cult of Luna; ao olhá-los bem, sossegados e discretos, pensamos que será um concerto calmo. Mal os Icospisaram os pedais de distorção, assim que fizeram o primeiro headbang, bem lento e de curvar todo o torso, e assim que os vocalistas se aproximaram do microfone, a parede sonora que criaram foi tão intensa e a forma como ficaram possuídos tão transformadora que demoveram todos os preconceitos – podemos associar o som da banda a quem quisermos, mas a verdade é que soa simplesmente a Icos; podemos pensar que são discretos, mas em palco são assustadores. O concerto que os suecos proporcionaram foi intimo, intenso e isolador, de levar todos os presentes à rendição – não demorou muito até que quase todo o público fizesse o mesmo género de headbanging que a banda, num sincronismo espontâneo.

A actuação dos Icos começou com Midnight Scenary, a música mais longa e ambiental de Fragments of Sirens, um início ideal para o ambiente íntimo e negro que conseguiram criar. Outras faixas, como Shattered Eyes e a homónima do álbum em que focaram o alinhamento, Fragments of Sirens, fizeram as delícias dos presentes, sempre hipnotizados pelas guitarras repletas de efeitos ou simplesmente carregadas de distorção. Foi um concerto surpreendente, carregado de peso e de psicadelismo, de distorções e de delays, com guitarras tocadas com arco de violino e gritos assustadores. No fim, houve direito a um encore, um genuíno. Gritou-se “one more” no público, completamente rendido, que ficava de livre vontade a noite toda a ouvir Icos.

Depois de uma noite tão bem passada, de forma tão inesperada, só se pode desejar um regresso dos Icos a Portugal, muito boa sorte para os Crushing Sun (que a merecem) e mais uns tantos concertos organizados pela Amplificasom.