Depois de editado Movement, o primeiro longa-duração da natural do Tennessee, o interesse em assistir ao vivo às criações e à sua própria forma de conceber música, tornavam esta aparição de Holly Herndon na ZDB como algo de uma massiva importância.

Ouvindo aquilo que nos trouxe, é indesmentível que a sua passagem por Berlim terá, de forma decisiva, clarificado aquilo que é o seu entendimento acerca do som e como deve ser posicionado. No fundo, como se a saída da sua América para a outrora escura e divisionária cidade alemã, lhe tivesse comprovado o peso das estruturas e parâmetros sonoros repletos de ambientes electrónicos necessariamente minimais. Desta forma, de modo pouco concreto e mais exploratório, optou pela utilização de vertentes raramente duradouras, para serem constantemente substituídas por outras, transmitindo um frequente entrelaçar de diferentes caminhos.

Ao longo de cerca de 40 minutos e, com uma postura extremamente serena por trás da mesa e do seu computador, interveio naquilo que tanto defende, ou seja, que este instrumento lhe confere intimidade, possibilitando a sua expressão através de confissões. Não deixa de ser estranho que procure esta forma robusta para se exprimir. Holly Herndon não apresentou uma perspectiva electrónica suave e melódica. Muito pelo contrário, foi buscar momentos a que Movement não chega. Uma espécie de interpretação do seu álbum da forma mais severa que lhe seria possível. Como tal, as reminiscências de algum house, foram por demais evidentes, com as batidas densas, fortes e com poucas variações rítmicas a serem o espelho daquilo que terá apreendido durante a sua estadia na Alemanha. Na ZDB, pareceu muito mais disposta a explorar estas componentes escondidas no seu registo, mostrando aquilo em que poderá focar-se através de uma interpretação muito menos dissimulada e, pelo contrário, muito mais volumosa.

Assim, se a sua estreia em disco se mostrou mais melodiosa e experimental, na noite chuvosa que Lisboa conheceu, Holly trouxe o mesmo nos píncaros da sua rispidez, em que as mutações vocais e a constante operação de transformação que exercia sobre a sua voz, permitiram uma tradução ainda mais maquinal do seu som, mas por outro lado, muito mais dançável e menos introspectivo. Nenhum canto ou murmúrio se perderam, sem terem a benevolência de sofrerem, de alguma forma, uma modificação sonora.

Servido o seu movimento e sem direito a encore, Holly Herndon deixou o palco com a incerteza de como a conseguiremos posicionar no futuro e, isso não deixa de ser algo interessante e desafiante.

Antes da entrada em cena da Mestrada em Música Electrónica, Ondness despoletou algumas massas de som, operadas em crescendos e decrescendos, perfumadas esporadicamente por alguns ritmos cavalgantes e a roçar o tribal. Utilizando constantes batidas sobre um ruído, muitas vezes escondido em componentes ambientais, parecia circular pelos mesmos caminhos, deixando pouco espaço para percursos sonoros ainda não experimentados.