A primeira vez que De Vermis Mysteriis bateu e pediu para entrar não se revelou fácil. A razão é simples e assenta num ditado popular: casa roubada, trancas à porta. Afinal, este novo álbum dos High On Fire tem como principal missão espetar as mandíbulas e espalhar adrenalina, sucedendo a um soporífero Snakes For The Divine, disco onde a energia de Matt Pike e respectivos coadjuvantes pareceu ter ficado do lado de fora do estúdio.

Felizmente existe um tipo chamado Kurt Ballou, que tem dos melhores ouvidos no que à produção/engenharia de um disco diz respeito. E bendita a hora em que os High On Fire decidiram transportar os seus esquissos para o GodCity Studios; aterrado no quartel-general do guitarrista dos Converge, o trio de San Francisco parece ter alinhado os chacras e recuperado o ímpeto perdido na longínqua Fury Whip. Há riffs a jusante e a montante, ríspidos e sujos como dita a lei, abraçados àquele ritmo que torna os High On Fire um projecto interessante até para os adeptos do thrash – ainda alguém se recorda que os HoF abriram para as duas datas de Metallica no Pavilhão Atlântico?

Em De Vermis Mysteriis, a banda que inspirou quatro indivíduos a fundaram os Mastodon não só recupera a sua identidade, como consegue ter até momentos quase “Sleepianos” – vide Madness of Architect, malha capaz de fazer Al Cisneros abanar a cabeça de contentamento. Sim, neste disco há igualmente bons condimentos para aqueles que preferem uma abordagem mais lenta, sob a lei Iommi: tanto numa Samsara que se faz nascer na melhor tradição bluesy da jorrada de bandas de Savannah, como na doomzadaWarhorn, um dos obuses mais vagarosos da biblioteca dos High On Fire.

Versátil e interessante durante os 52 minutos de duração, De Vermis Mysteriis dá vontade de dizer: sejam bem-vindos de volta.