O novo álbum “Peste” dos Hierophant é uma bomba! Os primeiros segundos de “Inganno” mandam evacuar a zona para a sua detonação. O ouvinte é imediatamente levado para um mundo caótico onde não é possível dar dois passos sem tropeçar em destroços ou em corpos dilacerados. A evolução temporal do álbum é absolutamente alucinante. Trata-se de uma autêntica montanha russa, cheia de píncaros e precipícios, que só afrouxa na última composição “Inferno”.

Apesar do prego a fundo constante, verifica-se um pouco por todo álbum que existe um excesso de tesão e testosterona que vai murchando à medida que cada faixa chega ao fim. Este não é um ponto negativo até porque todas elas são bastante curtas e densas. Então, as tais flutuações servem para recuperar o fôlego, preparando o caminho para novas aflições e rajadas de violência.

Apesar de este álbum representar um murro potente no estômago, a banda nunca perde a sua coerência. Bandas como, por exemplo, Nails debitam mais caos mas são tão abrasivas que toda a potência acaba por resultar em algo mais diluído. Neste álbum de Hierophant tudo está bem vincado e o ouvinte nunca se sente perdido no meio de tanto acorde e baquetada. Percebe-se, portanto, em que direcção é que cada malha pretende evoluir. A coordenação no caos é precisamente o factor que distingue a eficácia de uma banda neste género musical.

Em suma, pode-se afirmar que este é um daqueles álbuns em que se aumenta o volume sempre que se passa à malha seguinte. Entretanto, o álbum acaba e o silêncio informa o ouvinte de que estava completamente emaranhado naquele estado de espírito. É um álbum cuspido, inconclusivo e sem grandes propósitos. Apenas pretende abrir as goelas à desolação e ao desespero que o indivíduo sente quando se vê num beco sem saída interior. Som pujante, uma voz apocalíptica, um ride sempre presente e bastante feedback… que mais se pode pedir de algo “sem merdas”?