Ao ouvir-se Helms Alee conclui-se facilmente algo: a escola de Seattle só nos tem trazido boas coisas. Mas não me vou entusiasmar e vou reformular a frase para algo iniciado com “quando bem frequentada…”. Sim, porque o trio de sludge-core preferido da editora Hydra Head não andou a ver como é que os chatos dos Pearl Jam fazia as suas brincadeiras, nem se chatearam a perseguir os sonhos estranhos do senhor Cobain. Os Helms Alee atiraram-se de cabeça aos mestres Melvins e deram à sua sonoridade devastadora uma vontade bela, que só os dois terços femininos da banda conseguiriam produzir a custo de muito estrogénio.

É neste cruzamento entre a barba medieval do sludge, encarnada na forma da guitarra e da voz masculina de Ben Verellen, e o corpo bem delineado das vozes de Dana e Hozoji, e, claro, dos seus baixo e bateria, que o som dos Helms Alee nos surge, como imensamente belo e, em contraste, pedregoso, acidental e cheio de protuberâncias pesadas. O resultado é, sem dúvida, o grunge de pelo na venta sludge, cheio de fuzz e distorção, e com o lado mais belo dos Pixies em evidência.

A fórmula para Night Terror era diferente, sem dúvida alguma muito mais violenta, mas desta vez o trio de Seattle deixou em equilíbrio esses dois lados antagónicos, que diferencia imensas sociedades: se de um lado temos as patriarcais, uma maioria ocidental, e do outro temos as matriarcais, uma minoria em afirmação, em Weatherhead temos a bem mais desenvolvida solução da coexistência pacífica e, por isso, revolucionária dos poderes. Não é de estranhar que, bem cedo, sejamos agredidos por toda a banda e por 8/16, para, rapidamente, sermos acariciados na acústica Anemone of the Wound; a perfeição do disco está na capacidade mágica dos Helms Alee agredirem carinhosamente o ouvinte, como acontece em Pretty as Pie.

A grande questão de Weatherhead é saber, realmente, com que lado dos Helms Alee é que queremos alinhar-nos, se nos interessa ouvir bonitas guitarras indie, ou se preferimos grandes descargas de fuzz e de peso. O grande problema dessa grande questão é que ambos os lados são bons.