Juventude munida de pacotes de vinho do Pingo Doce, fuma cigarros mentolados depois de ser enganada pela empreendedora comunidade cigana. Estava-se bem junto ao rio. Tocam os portugueses Katabatic primeiro, enquanto a sala ia recebendo gente. À porta estava também um tipo vestido de astronauta.

Os portugueses sentenciaram as suas melodias firmemente, mostrando o disco “Weighs Like a Nightmare On The Brains Of The Living”, editado em 2014. Entretanto, o Armazém F tornou-se apertado. Era casa completa, podiam até alguns ter ficado a curtir mais contidamente a apanhar ar ao pé do rio.

Ainda ontem eles cá estiveram, exactamente no mesmo sítio.

Uma coisa em que toda a gente encontra prazer na música instrumental, é o facto de puderem construir a sua própria história, de raíz, sem directrizes de palavras. É essa, em grande medida, a razão de tanta gente estar reunida numa segunda-feira, jubilante com as faixas de “All Is Violent, All Is Bright”, editado em 2005. Mas os irlandeses também tocaram umas cantigas novas, do futuro álbum “Helios | Erebus”, a ser editado este verão. E conseguiram, mais uma vez, arrancar uma repenicada ovação de uma casa cheia em Lisboa, dois anos depois do mesmo feito.