Goatsnake - "Black Age Blues"
8Southern Lord

Quinze anos sem discos, onze anos sem novidade alguma. Os Goatsnake não sustiveram o ímpeto da tentação e trincaram a maçã return. Sobre eles, e até pelo percurso individual de Greg Anderson nos Sunn O))), o peso majestático de corresponderem ao estatuto legend, que neste interregno lhes foi atribuído por quem foi de e redescobrindo álbuns como “Goatsnake I” e “Flower Of Disease”.

Pouco haverá mudado nas marés de Goatsnake. Não permitiram que o blues desaparecesse na guitarra cor de fogo e é no deserto que a política musical dos norte-americanos se mantém. Essa embaixada de quentes fundições desfralda-se logo em “Another River To Cross”, uma opener que pega no restolho de “The River” [o final de “Flower Of Disease”] para lhe dar um omnisciente e acústico desfecho. É a prova de que a matriz está lá, nos crescendos de harmónica, nos riffs barítono capturados em bruto por Nick Raskulineck e no tal stoner que a voz de Pete Stahlajudou a definir. Nunca esperámos dos Goatsnake o violentíssimo escalpe doom, até porque para isso há tantas outras propostas, mas mais um erotismo de cigarro na boca e balão de whiskey na mão enquanto o sol se põe pelas costas.

Os caixilhos do classic rock, tacteados a Led Zeppelin e mapeados na febre generator que os Yawning Man deram aos anos noventa, gordos de ganchos easy listening, estão espalhados por “Black Age Blues” nas novas [mas paradoxalmente veteranas] “Graves” e “Jimi’s Gone” [ode ao imortal Hendrix]. No fundo, osGoatsnake permanecem a melhor ponte entre o guedelhudo rock analógico 70s e as variações mais metaleiras que chegariam depois. São, como sempre foram, um firme terreno intermédio cantado num registo croon, que tanto apaixona os seguidores da música mais claustrofóbica como aqueles que se orgulham de ter em casa a discografia completa de Kyuss, Sabbath e Cream. ÉGoatsnake vintage como apreciamos.