Poucos minutos antes de se resvalar para o Dia do Trabalhador, o palco onde Elizabeth Bernholz iria actuar apresentava poucos indícios de grandes obras. Microfone, pedal e uma escondida mesa responsável pelos beats, poderiam enganar quanto ao trabalho que muitas vezes a simplicidade acarreta. De facto, o aclamado segundo disco de Gazelle Twin vem prolongar essa ideia da capacidade para transformar o simples em ideal. Registo esse tocado praticamente na íntegra, fazendo a britânica questão de emanar em palco a sua capa: face escondida e abafada, como os melhores sinónimos para “Unflesh”.

Voltando à simplicidade – prioridade de qualquer objecto minimal que se preze –  é inquestionável que esse terá sido um dos atributos base: batida e distorção das partes vocais foram primeiro e abastado prato. No fundo, da mesma forma que Elizabeth se moveu, esquiva e atenta, como qualquer gazela que mira e evita um predador, também o seu som foi forte, conciso e impactante. Virtude essa demonstrada em tantos momentos, mas condensada em malhas como “Anti Body” ou “I Feel Blood”, que poderiam vir perfeitamente escondidas num álbum dos The Knife. As semelhanças foram evidentes, como se “Shaking The Habitual” fosse soletrado através de uma electrónica menor na sua riqueza, igualmente intenso, mas mais rude e menos dado a melodias.

Composições ofegantes e drásticas, vaticinadas pela forma drámatica como iam sendo operadas as tendências vocais. Mas também pancadas malfeitoras e impregnadas de falta de luminosidade que o seu twin implantava na sua maquinaria. Apesar de ter parecido demasiado curto, a constante gravidade da batida tornou todo o ambiente meio bruto, mas também abrupto, na forma como muitas vezes terminavam as faixas, deixando sempre a impressão que poderiam continuar ad aeternum.