Sejamos parcos em palavras: “Slow Focus” foi como uma pequena facada no matrimónio concebido com os Fuck Buttons. Como tal, este regresso dos britânicos, a uma sala por onde já tinham tocado, não encarava uma expectativa tão grande como no passado. Contudo, perceber que a dupla não se esqueceu dos seus primórdios acabou por transmitir um sentimento saudosista que só lhes ficou bem.

Cada vez menos próximos da faceta noise e imensamente experimental que caracterizou o enorme “Street Horrrsing”, as hostilidades foram iniciadas com “Brainfreeze”, tema maior do terceiro longa-duração e de aproximação estilística a roçar o industrial. Não há que esconder, a banda de Bristol está cada vez mais entranhada na electrónica que andava ocultada em cada um dos seus temas. Apesar disso, o pesar é claramente substituído pela euforia com que se começou a perceber que “Colours Move” andaria por ali embrenhado e pronto a entrar em ebulição. Aqui as saudades apertaram, e sentir novamente aquele colapso transmitido pela cadência contínua do tambor, a par da berraria comprimida no rádio infantil de Benjamin John Power, relembrou-nos o porquê de tanto gostarmos destes rapazes.

Despertada a nostalgia, “Olympians”, o tema mais belo alguma vez composto pelos Fuck Buttons, recordou que estes são os mesmos dois que conseguiram mostrar que pode existir vida no ruído, como se a algo inanimado eles pudessem conferir sentido e sensações. Esgotados dois trunfos de seguida, prosseguiu-se com “The Red Wing” e “Sentients” associadas à sua evidente rendição à batida.

Circundados pela sua mesa de operações, os Fuck Buttons continuam a apostar na mesma técnica: de frente um para o outro, Power e Hung raras vezes distanciaram o seu olhar das suas engenhocas, mas o inesgotavelmente belo “Surf Solar” serviu para um cruzar de olhos. Talvez percebendo tudo aquilo que já conquistaram com esta enorme aventura. Uma excelência pouco convencional, mas extremamente pura e preciosamente volátil.

Ainda, antes do encore, “Hidden XS” foi friamente distribuída, mas o epílogo “Sweet Love For Planet Earth”, e o seu regresso à estreia discográfica, conseguiu mostrar que têm tido a capacidade para ao longo destes anos recuperar todas as partículas sonoras dispersas que vêm explorando. A sequência dos seus registos tem sido, desta forma, a mais lógica. No Lux a ementa consistiu no melhor desses mundos.