O hábito de gravar vários dos seus concertos tem a consequência inevitável de criar um catálogo bastante extenso. Com variadas influências e diferentes músicos ao longo de mais de uma década de existência, o traço mais constante dos Excepter será possivelmente a intenção de criar músicas psicadélicas e envolventes, quer durem cinco minutos ou uma hora. A melhor forma de os compreender é assistindo a um espectáculo ao vivo, e poderemos fazê-lo já no início do próximo mês – no dia 3 na Culturgest no Porto, e no dia seguinte na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa.

Sentem que algum artista ou género em particular influenciou o vosso percurso musical? Parecem retirar inspiração de uma variedade de géneros, desde o electro ao krautrock.

Temos interesses muito abrangentes e podemos dizer que somos fãs de música no geral. Retiramos alguma coisa do techno, reggae, punk, pop, avant-garde, clássica, blues, jazz… mas é tudo filtrado pela nossa personalidade individual. Nesse aspecto podemos dizer que somos um bocado rock n’ roll.

Torna-se difícil descrever a vossa música, inseri-la em algum género. Isso alguma vez vos preocupou?

A nossa música é real. Não estamos preocupados com as noções de autenticidade que outras pessoas possam ter e rotular pessoas é para metaleiros broncos. A liberdade é inebriante e sabe bem rendermo-nos a ela.

Comentaste no passado que começaste a tocar aquilo que querias tocar quando te apercebeste de que os Excepter nunca seriam uma banda de sucesso. Tendo em conta que o sucesso pessoal e sucesso comercial são coisas diferentes, sentes-te realizado ou há objectivos a atingir?

Os Excepter podem ser confusos para aqueles que são convidados a juntar-se à banda. Há muito trabalho, mas qual é a recompensa? Ela chegará, tanto para nós como para o público. Quando estamos em palco é como se uma porta se abrisse e conseguíssemos ver os corredores. Nesse momento percebemos porque é que continuamos a fazer este tipo de música, e porque é que nos permitem continuar a fazê-lo.

Já têm uma vasta série de lançamentos e a vossa formação sofreu inúmeras mudanças. Como surgiram e cresceram os Excepter?

Começou comigo, depois tornou-se um duo, um trio, um quinteto, um septeto, um quarteto, um sexteto. Neste momento somos quatro, por vezes cinco… Pode entrar um novo elemento a qualquer hora. Às vezes um membro simplesmente não aguenta mais e sai da banda. É um trabalho duro que não é para todos. É preciso estar disposto a mudar o nosso ponto de vista e o dos outros. No fundo, até é surpreendente que a banda tenha mudado tão pouco ao longo dos anos.

Fizeram uma tour europeia em 2005 e depois passaram vários anos sem vir cá. Sentiram que não se justificava um regresso? Sentem que a vossa popularidade cresceu entretanto?

Fizemos uma curta tour europeia em Julho de 2012 que foi quando gravámos o nosso último LP e EP, em Praga e Copenhaga, mas tínhamos planeada uma tour para 2011. Teve de ser adiada devido à morte da nossa querida Clare [Amory]. Planos anteriores foram adiados por causa do nascimento da nossa querida Victory. A vida é uma série de desafios, e nós vamos aguentando.

Durante essas tours, como são os concertos? Continuam a tentar usar pouco material pré-gravado?

Não podemos viajar até à Europa com algum do nosso material mais pesado, por isso somos capazes de usar mais samples do que é habitual, mas os nossos sets continuam a ser bastante improvisados.

O que estão a pensar tocar?

Pensamos escolher músicas de vários álbuns diferentes, incluindo o último, mas moldados pela nossa disposição e espontaneidade. Não usamos setlists e pode haver surpresas, mesmo para nós.

A vossa página no YouTube conta com bastantes vídeos. Dirias que a componente visual é essencial para os Excepter, tanto em videoclips como ao vivo?

Gostamos de jogar com a invisibilidade mas não gostamos de nos esconder, isso faz sentido? Temos o nosso lado glamoroso…

Essa abordagem parece propícia a histórias interessantes. Para finalizar, há alguma que queiras partilhar connosco?

Em 2007-2008 estávamos muito empenhados em tocar setsincrivelmente longos, sempre mais de seis horas. Uma vez chegámos a tocar 17 horas seguidas. Agora damos concertos “curtos”, habitualmente com menos de uma hora, mas ainda tentamos criar uma experiência envolvente sem um verdadeiro início ou fim.