Vamos ser honestos: enquanto caminhávamos em direcção ao Hard Club, sentíamos algum cepticismo relativamente ao concerto dos Efterklang. Dizer que, nos seus últimos discos, os dinamarqueses têm perdido muita da sua chama é, talvez, dizer pouco. Com isso em mente, quando o espectáculo começou, tínhamos as expectativas relativamente baixas, mas os Efterklangcontrariaram esse preconceito e presentearam-nos com um espectáculo surpreendente que ultrapassou em muito a barreira do “competente”.

Como seria de esperar o concerto centrou-se em Piramida – o último trabalho da banda, lançado no ano transacto – e foi precisamente com esse registo que se iniciou a noite – Hollow Mountain e Apples foram as primeiras canções (diga-se de passagem que ambas soam bem melhor ao vivo do que em disco). Daí para a frente houve visitas inevitáveis a Magic Chairs (2010) e dois muito bem-vindos ainda que curtos olhares sobre Tripper (2004) e Parades (2007) – os dois primeiros (e maiores?) discos da banda. Step Aside e Frida Found a Friend foram, respectivamente, os temas responsáveis por esses regressos a um passado mais remoto e quase indetectável no presente dos Efterklang.

A simpatia é uma das características de Casper Clausen (típica figura dinamarquesa) e do resto da banda. Independentemente do que se passa ou não em palco, dá gosto ver artistas a actuar com genuínos sorrisos de satisfação daqueles que só quem realmente gosta do que faz é capaz. Foi desse modo sorridente que osEfterklang foram agradecendo os aplausos e tecendo elogios à cidade Invicta (que visitaram agora pela primeira vez). Esses elogios foram acompanhados por uma reflexão de que “esta cidade acorda de noite” e deram o mote a The Ghost, um dos estandartes de Piramida cujos crescendos ritmados foram muito bem recebidos pelo público. Modern Drift , claro, teve honras de encerramento do corpo principal do concerto , mas a noite ainda se ficaria por aí e a banda voltaria a palco para um encore de três canções.

Surpresa é mesmo a palavra chave desta noite. Das percussões inventivas ao melhor solo de soalho que já ouvimos (sim, o ranger do palco serviu de instrumento improvisado) ou a uma curiosa “troca de galhardetes” no qual a banda ofereceu recuerdos do seu concerto em Madrid, pedindo em troca algo para levar para a Galiza, onde tinham agendado o próximo espectáculo. Todos esses momentos algo invulgares quebraram, com toda a descontracção e naturalidade, a barreira entre o público e a banda. Essa barreira viria a ser derrubada de vez na última canção noite – quando Alike foi interpretada praticamente sem aplificação e em grande proximidade, já o público estava mais do que rendido aos encantos dos dinamarqueses e os considerava como bons amigos com quem iriam para os copos a seguir.