Entre a histeria televisiva do 16:9 e o marasmo disfarçado de convulsão que qualquer plebiscito traz, também nós mudámos de aspecto. Coisas de Outono. Ou então apenas o ajuste lógico à progressão tecnológica e à nossa renovada linha editorial.

Não escrevemos hoje só em português. A nossa consciência de nicho levou-nos, quase por uma questão de justiça, a procurar outros públicos. Havia – e continuarão a existir – certos conteúdos no PA’ que não poderiam somente ficar presos à língua portuguesa, amarrados a um muro linguístico ciclicamente repetitivo. Se temos uma boa entrevista à banda estrangeira x, que ela então chegue ao maior número possível de leitores – em Castelo Branco ou no Winnipeg.

Daí o inglês presente não só em vários artigos, mas também na navegação do website. Abandonamos a trincheira e vamos para essa no man’s land onde o desfecho é sempre imprevisível. As próximas semanas serão de transição, entre o site antigo e o novo, esperando nós que corra tudo bem pelos entretantos. Muitos pormenores faltam ainda acertar, montes de coisas têm de descobrir a sua gaveta.

Continuaremos, claro, atentos ao que acontece por aqui. Obedecendo, em primeiro e único lugar, àquilo que nos dá gosto reportar. Sem fidelização ao press release, sem perseguir o trending, sem considerar que tudo é bom e maravilhoso só porque os outros também o dizem. «We know what we like and what we don’t like», já dizia a Iron Lung Records. Fá-lo-emos conscientes do quão ridículo e superficial é o papel de um crítico, embrenhado em conceitos linguisticamente questionáveis e considerações taxativas sem validade teórica. Usaremos sempre a escrita como um sub-arte aplicada à arte maior, moldando-a numa arritmia tão racional quanto incoerente, tão calma quanto histriónica.

Se alguma vez não nos entenderem, talvez tenha sido esse mesmo o propósito. Como dizia o Thomas Pynchon: «Why should things be easy to understand?»