Goste-se ao não do estilo dos Drudkh, do secretismo e dos rumores que rodeiam a banda, é difícil negar que discos comoAutumn Aurora ou Blood in Our Wells são clássicos  do black metal moderno. Eternal Turn of the Wheel, apesar de não estar num nível tão alto, é o melhor lançamento da banda desde Estrangement, de 2007, e uma proposta muito mais segura que os dois discos seguintes da banda, Microcosmos e Handful of Stars, que sofreram com os flirts ocasionais com post-rock genérico.

A febre post-rockeira que influenciou muito do black metal dos últimos anos desvaneceu um pouco, e o quarteto ucraniano regressou a terrenos mais familiares : o black metal predominantemente mid-tempo, com inspiração algures entre o doom e o folk. E é onde se sentem bem. O disco começa, como todos os discos de Drudkh começam, com uma curta introdução,Eternal Circle,que deixa bem claro a temática central do disco : a passagem do tempo, a mudança das estações, o ciclo, em repeat.  As duas faixas que se seguem, Breath of Cold Black Soil (March) eWhen Gods Leave Their Emerald Halls (August), são as mais longas (ambas rondam os dez minutos) e começam uptempo, para desacelerar com o passar dos minutos, até àquele híbrido doom/black/folk tão característico dos ucranianos. A atenção mais focada no ambiente criado pela mistura das guitarras e teclas, em vez de riffs e estruturas mais fechadas, dá um sentido mais amplo a estas faixas, que parecem respirar livremente, mesmo quando o destino final de determinado crescendo ou desaceleração é previsível. É nisso que os Drudkh são mestres : criaram um som muito familiar, algures entre os Agalloch e os Ulver de outros tempos, e não tiveram receio de regressar a ele, depois de duas experiências menos conseguidas. A única «novidade» é talvez uma ligeira aproximação ao DS black metal de uns Austere ou Woods of Desolation, especialmente na produção, muito limpa e pouco equilibrada nos graves.

A falta de informação sobre a banda – não dão concertos, não têm presença online oficial, não dão entrevistas e não há fotos dos membros, sequer – só contribui para o seu sucesso . O mistério, tão levado à risca, toma conta da música e torna cada melodia numa incógnita. Numa altura em que os sound bites dominam a indústria, até nos géneros mais extremos, não deixa de ser saudável ver uma banda sobreviver tantos anos e lançar tantos discos desta maneira. Claro que o silêncio também cria rumores, como os de uma suposta afiliação política negada pelos membros da banda, mas isso é uma outra conversa…