Bloco sobre bloco, um Le Corbusier de longas vestes, Angel Deradoorian caminha no suburbano, na ilusão da materialidade ancestral, num pan-asianismo que lhe deixa o sangue armeno de todas as cores. Ajoelha-se em paredas falsas, troca segredos num chão flutuante; a geometria de muralhas leves que parece fazer ângulos no improviso. As suas canções nascem por designo elucidário, na espontaneidade de uma cascata que não seca, entre loops e tremores que rasgam a sua própria boca para nos engolir – um herbário de vozes às cavalitas, um alódio indígena onde se acham sermões balcânicos em linhas de baixo.

A manipulação que redunda na beleza; ou como Deradoorian é a executrix de fragmentos por unir nas mãos de Arlene, a irmã. Digressões que encaixam, paganismos soltos na tarola encapuzada, mediunidades de São Ampere e contra-colagens rítmicas numa simplicidade de revólver. “The Expanding Flower Planet” como palpitação mineral entre o velho e o novo mundo e nós, ali, sentados a meio.