Ora bem, para quem não a conhece, a história que nos chegou aos ouvidos é a seguinte: com Exmilitary, os Death Grips alcançaram a fama mundial, reuniram-se em Outubro com a Epic (sim, a editora de Chevelle, Avril Lavigne ou Jennifer Lopez), marcaram uma tour que iria passar pelos Estados Unidos, Canadá e Europa, e em Fevereiro anunciaram finalmente que assinaram um contrato que previa o lançamento de dois álbuns em 2012. O primeiro, The Money Store, foi lançado sem problemas em Abril, e o segundo, No Love, estava previsto para Outubro. Em Maio, os Death Grips cancelaram subitamente todas as datas da tour e afirmaram que iam trabalhar no novo álbum.

Chega Outubro e a banda comunica que a Epic pretendia adiar o lançamento para 2013. Não contentes com isso, os Death Grips disponibilizaram o álbum gratuitamente na internet, com o título No Love Deep Web, acrescentando que a editora ia ouvi-lo pela primeira vez em conjunto com os fãs. Como é óbvio, foi-lhes exigido que retirassem o álbum da net, mas nada aconteceu. Poucos dias depois, o site dos Death Grips foi deitado abaixo (a Epic garante que não teve nada a ver com isso), e os membros da banda publicaram a troca de emails entre eles e a editora. Sem surpresas, a Epic expulsou-os. Andam agora felizes da vida numa nova tour mundial. Idiotas para uns, heróis para outros, o que é certo é que má publicidade continua realmente a ser publicidade, e estão mais famosos do que nunca.

Tendo conseguido superar Exmilitary com o seu segundo álbum, os Death Grips viraram-se numa nova direcção. Depois das passagens memoráveis de The Money Store, este terceiro álbum é muito mais sombrio e cru. A banda sempre disse que se deixava inspirar pelas emoções negativas, mas nos dois últimos trabalhos elas eram acompanhadas por uma sonoridade que facilitava a sua aceitação. O número de samples foi diminuindo, e neste terceiro álbum nem parece existir o habitual interesse de criar um ambiente denso: em vez disso, há agressividade e violência psicológica. Uma voz aos berros levada à exaustão em Come Up and Get Me, a batida tensa de No Love, e um espaço desconfortavelmente vazio em grande parte de Lil Boy e Black Dice, que parecem músicas dançáveis incompletas, contribuem para o acentuar do negativismo que estava mais implícito nos álbuns anteriores.

A construção deste álbum evidencia também mais influência do rap mais tradicional do que os anteriores. Exmilitary e The Money Storepareciam de facto álbuns de uma banda, mas No Love Deep Webparece o trabalho de um rapper. Com tanto espaço para respirar, a voz de MC Ride destaca-se, bem como as letras quase impenetráveis. Porém, em World of Dogs, um verso resume todo o álbum: “I’m trying to survive but I’m dying, die with me”.

Não podemos afirmar que é o pior álbum de Death Grips. Mas podemos garantir que é o mais difícil até à data, e que será demasiado asfixiante para muitos fãs. Se isto é apenas mais uma experiência, e não o rumo que decidiram tomar, ainda não podemos saber. Resta-nos esperar para ver se o confronto com aEpic e a saída da editora não terá sido o derradeiro tiro no pé do conjunto californiano.