Não se sabe bem a quantas é que Death Grips anda, mas as suas velocidades são todas tão súbitas quanto a própria morte – nunca se sabe bem de que lado é que as suas canções vão tomar o ouvinte de assalto, em sobressalto. Enquanto se espera, há sempre a possibilidade de, mais do que uma batida, surgir um efeito no limite daquilo que os tímpanos toleram, mas que cai mesmo a matar no que se ouve; Guillotine atalha logo para isso.

É nesses pormenores que Exmilitary cresce a olhos vistos e se insurge como um álbum obrigatório: para odiar ou para amar. Death Grips não deixa espaço para ambiguidades, quando as suas músicas já assumem uma forma de hip hop de estranhar, arrepiar e de arrancar pele para entrar. Uma tortura sadomasoquista de acelerações, batidas que parecem feitas por Zach Hill (quem sabe se não foi mesmo, tendo em conta que o baterista já tocou ao vivo com Death Grips), melodias feitas a guitarras tão típicas do rock mais punk, como Klink ou I want it I need it, ou uma lentidão de um arrasto cambaleante, mas completamente bêbedo de balanço, como exigem estas hiphopeiasde trocar olhos.

As opções estão tomadas: há que escolher um lado, ou odiar e difamar Death Grips, ou amar e gritar tanto quanto ele nas suas letras. A sua aventura ruidosa começou e está a ser aclamada em uníssono, o que não surpreende. O norte-americano faz música, mais do que batidas com umas letras por cima. Há uma preocupação precisa em que a sua voz fique tão perfeita na música como a batida na melodia, e por aí fora. Se Exmilitary falha, é no excesso de ruído, não na sua utilização – bem ponderada, em todos os sentidos, acrescente-se. Não há mesmo espaço para diálogos; ouça-se e decida-se.