Agora que os Wolves in the Throne Room se despediram (e de que maneira) do Grande Bode, resta-nos a questão: quem pode ocupar o lugar dos irmãos Weaver no trono (pun intended) do US black metal? Os candidatos, esses, são mais que muitos…e, para baralhar ainda mais a guerra da sucessão, a Deathwish desencantou estes Deafheaven algures nas ruas de São Francisco . E são uns candidatos sérios, meus senhores, a julgar por este Roads to Judah. Recuperam o modelo clássico das 4 faixas a rondar os quarenta minutos e escreveram, com mestria, algum do melhor black metal que se ouviu no último ano.

Primeiro que tudo, esqueçam as parvoíces dos Liturgy, não às vão encontrar por aqui. Nem o purismo dos Woe, já agora. Nada disso. Antes pelo contrário : a espaços, a forma como as faixas se desenvolvem, até fazem com que estes Deafheaven se pareçam com uns clones de Envy que decidiram tocar música pesada. Mas só a espaços.

Inspirados por um ano de deboche e boa vida(?) do vocalista George Clarke, os quatro temas de Roads to Judah têm uma intensidade e uma força capaz de deixar muito escandinavo a roer-se de inveja. E não é qualquer grupo de novatos que se possa gabar disso, acreditem. As influências screamo (muito súbtis) e os tiques post-rock (mais visíveis) vão ser o suficiente para que se formem muitas rugas na testa de alguns, mas ouçam os versos daViolet e digam que aquilo não é coisa do demo…

Talvez o pe$o da Deathwish tenha muita influência aqui, mas porra, o som está impecável. A produção ajuda a criar um ambiente que favorece tanto os interlúdios à la Explosions in the 

Sky como as secções uptempo e pesadas. Não é muito suja mas também não está over-produced e os instrumentos soam muito bem – a bateria especialmente, monstruosa. Já a voz, onde a influência screamo salta à vista mais vezes, não é muito distante de uns Funeral Diner ou pg.99, e encaixa como uma luva na wall of sound de tremolo picking e blast-beats. Destacar ainda o quarto e último tema, Tunnel of Trees, uma espécie de apanhado do disco inteiro: começa pesada, pesadíssima, e destrói tudo até uma quebra, muito post-rockeira, mais ao menos a meio, que por sua vez explode num tremolo picking eufórico e um ritmo partido. Tudo muito bem feito, e uma das melhores faixas de todo o 2011. Quando achamos que a coisa já não pode melhorar, entra um piano, cautelosamente optimista. O pesadelo de Clarke acabou, há uma espécie de luz lá ao fundo. A intensidade dessa luz, isso cabe a cada um decidir. Agora é respirar fundo e esperar pelo follow-up. E se Clarke tiver que anular o efeito da Tunnel of Trees e passar mais um ano perdido na libertinagem para que isso aconteça…força. Tem a minha benção, desde que deixe de imitar os espasmos do Ian Curtis nos concertos.