O início do Outono trouxe de volta a Portugal os Dark Tranquillity (foto), muitíssimo bem acompanhados nesta tournée pelos finlandeses Insomnium, uma banda que se tem afirmado progressivamente como um dos nomes fortes do metal europeu, garantindo frescura e vitalidade ao death metal melódico tão proeminente em terras nórdicas.

No entanto, era aos portugueses Karnak Seti que cabia a missão de abrir as hostes no Cine-teatro de Corroios. Infelizmente, por motivos que dizem respeito à organização, a banda madeirense tocou antes da hora prevista para o início dos concertos, pelo que nos foi impossível assistir à sua actuação. Por esse motivo pedimos desculpa à banda e esperamos vê-los brevemente.

Passavam poucos minutos das 21 horas quando se iniciou a actuação dos Insomnium, revelando-se bastante consistente e, com o avançar do concerto, capaz de construir um ambiente sonoro de considerável intensidade, fazendo sobressair as elaboradas linhas de guitarra e conseguindo momentos de grande nível. O vocalista e baixistaNiilo Sevänen procurou sempre criar empatia apostando na comunicação com o público de uma forma sincera e humilde, reflectindo a presença positiva da banda em palco, em contraste com a sua sonoridade soturna.

setlist foi diverso, alimentado por temas de vários álbuns, com tempo ainda para uma música inédita, a abrir o apetite para o novo registo previsto para 2011, ainda sem título. Antes de tocarem o derradeiro tema, ficou no ar a promessa de um regresso para breve, eventualmente em nome próprio, algo que a competência e a qualidade da banda já justificam, com mais uma prova dada esta noite em que teriam feito, por si só, valer a pena o concerto.

Mas, como se previa, esta noite ficaria marcada pelo prometido regresso dos suecos Dark Tranquillity, anunciado ainda em 2009 no Vagos Open Air. Foi, aliás, a própria banda que, pela voz de Mikael Stanne, recordou esse espectáculo após tocarem os dois primeiros temas, ambos retirados do mais recente álbum, We Are The Void. Seguiram-se Damage Done e Lost to Apathy, através dos quais a banda conquistou e agitou seriamente o público pela primeira vez.

Revisitando quase na totalidade os seus registos de originais, o alinhamento trouxe ao palco alguns temas antigos que a banda não apresentava há algum tempo. O calor que se fazia sentir pela sinergia vivida na sala era sufocante, mas não o suficiente para impedir que Mikael Stanne transpirasse boa disposição. Misery’s Crown, uma das músicas mais leves e melódicas do reportório, afirma-se cada vez mais como uma espécie de hino dos Dark Tranquillity, reunindo cânticos e convocando um espírito de comunhão entre o público e a banda.

O desfilar dos temas foi de tal modo natural que, surpreendentemente, se chegou com bastante rapidez à última música, mas Punish My Heaven seria uma falsa despedida que não assustou ninguém e o previsível encore acabou por chegar com o som e as luzes de sirenes. O alarme soou e Final Resistance chegou, seguindo-se imediatamente Therein e, para finalizar, Terminus (Where Death Is Most Alive), colocando um ponto final na passagem da banda de Gotemburgo por Portugal, que na véspera tinha tido a sua primeira paragem no Porto, dando vida ao renascido Hard Club.

Dark Tranquillity apresentou-se uma vez mais como uma banda extremamente consistente e entusiasmante (ainda que por vezes um pouco mecanizados na sua interacção com o público). A actuação fluiu com naturalidade ao longo dos quase 20 temas tocados e fica também marcada com uma melhoria na cenografia de palco, com destaque para a projecção de vídeos ao longo de todo o concerto, perfeitamente articulados com o jogo de luzes e a cadência dos temas. Na despedida, o vocalista afirmou ainda: “I’ll always remember Lisbon” (apesar de o concerto ter decorrido em Corroios) e, como vem sendo hábito, o regresso ficou prometido e saúda-se.