É um disco raro, este Void. Por um lado, é um lançamento que rejeita todas as inovações recentes que têm transformado, para o bem e para o mal, o black metal. Por outro, porque consegue ser criativo e interessante sem fugir muito da fórmula tradicional do género, estabelecida pelos vizinhos Mayhem e Gorgoroth algures nos anos 90. As blast-beats e o tremolo picking estão lá, a acompanhar a voz rouca de Mikael Nox, mas também há espaço para riffs dissonantes e secções claramente influenciadas por doom. Tudo bem feito, tudo bem estruturado, como se escrever black metal arrastado e cheio de mudanças de velocidade fosse a coisa mais natural do mundo.

Void abre com a inútil Intro (John’s Nightmare), 20 segundos de nada, seguidos por Serpent Soul, uma faixa que começa por ser um híbrido rock e black metal, mas que cresce algures a meio, rumo a um negrume melódico que faria Jon Nödtveidt soltar um thumbs up de aprovação. Muito do disco é assim: as faixas começam por ser algo, que se desenvolve num sentido inesperado. Obviamente que nem sempre a coisa funciona, há faixas que fluem de forma mais bem conseguida (a title-track e a excelente The Ground Surrenders) que outras, mais forçadas (Leaving the Corportal Shade, no reverso da moeda).

Em resumo, este quarto disco da banda sueca deverá agradar a quem gosta do seu BM escandinavo com um twist aqui e ali.