Foram precisos 6 anos de actividade para os Conan editarem o seu primeiro longa-duração, Monnos, saído este ano pelas mãos da Burning World Records. Para os mais desatentos, trata-se de um trio proveniente de Liverpool cuja abordagem ao doom faz jus à personagem fictícia do mesmo nome (apesar das músicas não serem propriamente sobre o mítico bárbaro), ou seja, volume alto, ritmos arrastados e brutos, afinação baixa e distorção omnipresente. Tudo isto de forma simples e directa, sem grandes artifícios de produção ou inovações na composição.

Apesar de terem recebido o epíteto de “caveman battle doom”, o que há aqui é doom sem merdas: as músicas são arrastadas mas curtas o suficiente para não ser funeral doom ou tentar ser épico. Se já conheciam Horseback Battle Hammer, EP anterior da banda que obteve reacções bastante positivas em 2010, então já sabem mais ou menos com que força é que a música destes ingleses vos vai esmagar a cabeça, se não conhecerem, Hawk as a Weapontratará certamente de induzir uma boa quantidade de movimentos de pescoço durante os seus 6 pesados minutos.

Transversal ao disco é um ambiente de destruição, como se a brutalidade com que a música é interpretada nos obrigasse a imaginar algo enorme a bater ritmadamente em tudo o que lhe rodeia, nós próprios incluídos. As letras, que remetem precisamente para imagens de devastação com uma atmosfera algo mitológica (sem entrar em parvoíces), são gritadas limpas mas privadas de grandes melodias, sendo que a forma como parecem pairar por cima da música não é de todo alheia ao que acontece nos álbuns de Electric Wizard, sem entrarem em lamentáveis imitações.

Com objectivos tão precisos e primitivos, podia facilmente ser um álbum que caía em repetições desnecessárias e momentos de peso-pelo-peso algo desinspirados. Felizmente, esses perigos foram evitados e, aqueles capazes de suportar altas doses de peso, volume e distorção, vão encontrar doom daquele que não precisa de sufixos e que, sem reinventar a roda ou nos forçar a alargar qualquer tipo de horizontes, esmaga de uma maneira confortante precisamente pela simplicidade.