Colleen - "Captain Of None"
7.5Thrill Jockey

Colleen, ou se preferirem Cécile Schott. A francesa retorna, com sublinhado discográfico Thrill Jockey, para o sexto álbum de uma carreira marcadamente exploratória, por vezes até, arriscamos, catártica. O termo poderá estar batido de tanto uso, mas as epígrafes de Cécile são intranquilas pela ânsia de descobrir mais, tentar mais, ir mais além. São libertadoras.

“Captain Of None” mostra que não é preciso ser-se futurista para alcançar a novidade. Pegando na viola da gamba, instrumento renascentista disseminado no século XV pelas cortes reais, Colleen dá dois passos atrás para galgar muitos mais à frente. Alterando-lhe a funcionalidade, investiga-o essencialmente enquanto instrumento percurssivo e mantém-o narrador predominante ao longo de todo o registo. Como supporting cast, a sua voz, a melódica e uma melopeia natural de loops que crescem qual suave véu de cetim entre reverbs ubíquos e delays nostálgicos.

“Captain Of None” é a confirmação do já timidamente anunciado em “The Weighing Of The Heart” (2013). Cécile está mais espontânea enquanto artista, quer acrescentar dimensões a uma carreira que se fez primeiro na dita chamber music. A influência dub é desta feita notória, a vontade de construir canções também. Canções orgánicas, exploratórias sempre, concisas agora.