Não sendo de todo um álbum acessível para quem procurar algo vagamente parecido a felicidade na música que ouve, a estreia dos Coffinworm na Profound Lore é de escuta obrigatória para quem não se importar de, no final do túnel que são os pouco mais de trinta minutos de “IV.I.VIII”, apenas encontrar mais túnel.

Deixado o aviso, o blackened sludge cheio de ganchos que tornara “When All Became None” numa estreia promissora continua a marcar presença, sendo “Lust Vs. Vengeance” bom exemplo disso mesmo. Continuando a soar a Coffinworm, “IV.I.VIII” não é de todo uma repetição do passado, notando-se uma presença maior de death metal no destilar de raiva da banda, desde a descarga inicial de “Sympathectomy” até ao encerramento com “A Death Sentence Called Life” – um malhão impressionante e um título que resume bem o tom do álbum. Pelo meio ainda há uma “Black Tears” a merecer referência não só porque o final apocalíptico é das melhores passagens do disco mas também por acompanhar a simpática dedicatória da banda a Fred Phelps: “I’ll be the sniper at your funeral / And use your headstone as a urinal” (resta saber se cumpriram a segunda parte).

Não é muito raro que uma estreia promissora não tenha a sequência esperada, tanto por haverem expectativas demasiado altas, como pela natural imprevisibilidade do crescimento dos seus autores. Neste caso, “IV.I.VIII” é tudo o que se podia esperar e muito mais. Entre riffs que transpiram bílis e um D [vocalista] a alternar entre guturais e berros rasgados igualmente doentios, os Coffinworm criaram um monstro de mau humor, daqueles que tanto dão pesadelos como fazem a realidade parecer mais risonha.