“Olá, nós somos os novos Converge e não temos idade para pedir uma cerveja”. E assim se esgota o recurso estilístico consignado às hipérboles. Hipérbole porque não há novos Converge, nem perto disso – em relação à idade mínima permitida para consumo de álcool, tudo o anteriormente afirmado se mantém. Nos States, em concreto no estado da Pennsylvania, de onde são estas crianças, só se pode beber a partir dos 21. Ao que parece, os Code Orange Kids são mesmo kids e nem aos 20 chegaram.

Então, o que fazem aqui? O que fazem na Deathwish Inc.? Porque andam em tour com Gaza? Porque raio o Jacob Bannonfez um vídeo de quase três minutos só a proferir maravilhas sobre eles? Simples: são muito bons. Quando no ano passado editaram Cycles, um EP de sete polegadas, muitas orelhas se levantaram e ficaram atentas ao que se seguiria. Segue-se Love Is Love // Return To Dust, onde os Code Orange Kids só mostram que são do mais original que por aí medra no que ao core diz respeito.

Poderiam ser somente mais uns putos que descobriram o Wolverine Blues e desataram a fazer riffs a papel vegetal sobre o corpanzil dos Entombed. Ou então poderiam ser somente mais uns dedicados ao dark hardcore, sem grandes traços de destrinça e destaque. Mas não. Nem pertencem ao entombedcore, nem andam de cruz invertida cravada na testa. Os Code Orange Kids sabem compor hardcore a sério e soam diferentes. Em 2012.

Não que sejam uma espécie de completa e renovada lufada de ar fresco. É inegável que neles há todo um soprar de ventos e correntes vindas de Converge ou Knut, que lhes servem de linha orientadora para uma investida que se desdobra pelas passagens caóticas revistadas a grind, por uma bateria mais imprevisível que o Garrincha e por um baixo bem porco, como só o Kurt Ballouconsegue fazer soar nestes dias, no seu God City Studios. Mas a surpreendente e inesperada forma com que acabam, por exemplo, uma Flowermouth (The Leech) e uma Liars // Trudge; a inclusão de uma voz feminina (que berra como qualquer indivíduo carregado de testosterona); ou a excelente adição do feeling post-rock/metal em Colors (Into Nothing) Calm // Breathe tornam os Code Orange Kids interessantes e relevantes na infindável torrente de bandas que por aí anda.

Há neles talento sem fim à vista e uma óbvia ânsia de criar algo categoricamente distinto. Por enquanto,e fruto da falta de maturidade, é também natural que algumas ideias e encaixes ainda estejam fora do sítio – por exemplo, há muito espaço de manobra para melhorar as composições de guitarra. Faltam riffs carnudos, capazes de se sublevar à já insurrecta toada dos miúdos de Philadelphia. Mas, aos dezoito anos de idade, criar um Love Is Love // Return To Dust não é para todos. Temos aqui um dos melhores discos de estreia dos últimos anos, dentro do hardcore.